Com a intensificação das atividades ao ar livre
durante o verão e o aumento da circulação de pessoas em praias, clubes, parques
e outros espaços coletivos, a conjuntivite viral volta a se destacar como uma
das doenças oculares mais comuns neste período do ano. Altamente contagiosa, a
inflamação das conjuntivas encontra nas férias escolares e nas aglomerações um
ambiente favorável para a disseminação. De acordo com especialistas, o contato
direto com secreções ou objetos contaminados segue como a principal via de
transmissão, o que torna a adoção de medidas simples de higiene um fator
decisivo para conter a propagação da doença.
A conjuntivite viral é, na maioria dos casos,
causada pelo adenovírus e apresenta um curso clínico bem definido, conforme
explica o médico oftalmologista Paulo Segundo, do Hospital Universitário Onofre
Lopes (Huol/UFRN/Ebserh). “Os sintomas tendem a progredir e piorar nos
primeiros três dias, seguidos de um quadro de resolução gradual que leva entre
sete a 10 dias. O verão propicia o contágio devido às aglomerações e ao aumento
do contato físico”, afirma.
O especialista ressalta, no entanto, que o contato
com uma pessoa infectada não resulta automaticamente em transmissão. “A
infecção depende de um tripé: a imunidade do indivíduo, o nível de carga viral
a que foi exposto e o momento da doença em que o contato ocorreu”, completa.
Na prática, a transmissão acontece principalmente
pelas mãos, que funcionam como o principal vetor do vírus. O contato com
superfícies contaminadas, seguido do ato de levar as mãos aos olhos, facilita a
infecção, assim como o compartilhamento de objetos de uso pessoal, a exemplo de
toalhas, fronhas, maquiagem e até equipamentos de uso coletivo, como teclados e
controles remotos. Os primeiros sinais costumam incluir olhos avermelhados,
lacrimejamento intenso, sensação de areia ou corpo estranho e secreção
esbranquiçada. A diferenciação entre os tipos de conjuntivite é fundamental
para o manejo adequado.
Embora a maioria dos casos evolua de forma benigna,
há situações que exigem atenção imediata. “Sinais de alerta incluem dor ocular
intensa, baixa repentina da visão, fotofobia extrema ou se os sintomas
persistirem além do período esperado de 10 dias. Nesses casos, a reavaliação
oftalmológica é mandatória para evitar sequelas na córnea”, destaca Paulo
Segundo.
Durante o verão, o risco pode ser ampliado pelo
contato com água do mar ou de piscinas, sobretudo quando não há tratamento
adequado. Segundo o oftalmologista, a irritação provocada pelo cloro ou pelo
sal também pode deixar os olhos mais suscetíveis a infecções secundárias.
O uso de lentes de contato em ambientes aquáticos é
apontado como um dos principais fatores de risco para complicações oculares e
pode causar microabrasões que servem de porta de entrada para infecções graves,
não apenas virais. Já os óculos de sol, além da proteção contra a radiação
ultravioleta, podem atuar como barreira física e reduzir o contato involuntário
das mãos com os olhos, além de aliviar a sensibilidade à luz.
O tratamento da conjuntivite viral é basicamente de
suporte, com o uso de compressas frias, lubrificantes oculares e reforço da
higiene. Não há medicamentos específicos para eliminar o vírus, e a
automedicação é fortemente desaconselhada.
“O uso indiscriminado de colírios com antibióticos
ou corticoides é contraindicado sem prescrição. Na maioria dos casos virais,
eles não são adequados e podem comprometer a evolução natural da doença,
prolongando o quadro ou aumentando o risco de complicações graves”, pontua
Paulo Segundo. O mesmo cuidado vale para receitas caseiras, como compressas com
chás ou leite.
Em ambientes familiares, a orientação é intensificar
os cuidados com higiene, evitar compartilhar objetos pessoais, trocar fronhas
com frequência e manter a limpeza de superfícies de uso comum. Essas medidas
simples, segundo o oftalmologista, seguem sendo as mais eficazes para reduzir a
circulação do vírus e evitar que um problema recorrente do verão se transforme
em um surto.
Cuidados para evitar a conjuntivite
viral
Lave as mãos com frequência e evite
levá-las aos olhos;
Não compartilhe objetos pessoais
(toalhas, fronhas, maquiagem, etc.);
Evite usar lentes de contato em praias
e piscinas;
Reforce a limpeza de superfÌcies de
uso comum;
Troque fronhas e toalhas com
frequÍncia;
Use ôculos de sol para proteger os
olhos e evitar tocá-los;
Não use colírios ou outros
medicamentos sem orientação médica.

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