A decisão da americana FedEx de encerrar as entregas
domésticas no Brasil escancara uma crise estrutural enfrentada pelo setor de
transporte no país. Pressionadas por custos elevados, infraestrutura deficiente
e insegurança, grandes transportadoras vêm reduzindo ou abandonando operações
locais. O cenário ajuda a explicar por que o Brasil aparece apenas com nota 3,2
no Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial, em uma escala que vai até
5.
Especialistas apontam que o problema vai além de uma
decisão empresarial isolada. O economista Cláudio Frischtak destaca o baixo
investimento em infraestrutura de transportes, que representa cerca de um terço
do necessário para atender à demanda nacional. Rodovias precárias, portos
saturados e aeroportos limitados encarecem operações e reduzem a
competitividade, especialmente na chamada “última milha”, etapa considerada de
alto risco e baixa margem.
O peso do custo logístico no Brasil também chama
atenção. Enquanto nos Estados Unidos ele representa cerca de 8,8% do PIB, no
Brasil chega a quase 14%, sem considerar despesas com estoques. Soma-se a isso
a forte dependência do transporte rodoviário, a escassez de motoristas e o
avanço da insegurança, com milhares de roubos de carga por ano, elevando gastos
com seguros e sistemas de proteção.
Paralelamente, o crescimento acelerado do e-commerce
redesenhou o setor. Grandes plataformas passaram a internalizar a logística e
terceirizar apenas etapas pontuais, comprimindo ainda mais as margens das
transportadoras tradicionais. O resultado é um mercado mais concentrado, com
menos grandes players internacionais e uma proliferação de operações regionais
e informais, evidenciando um modelo logístico cada vez mais pressionado e
desequilibrado no país.
Com informações do O Globo

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