Por Wilson Lima – O Antagonista
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias
Toffoli perdeu todas as condições morais para conduzir as investigações
relacionadas ao escândalo do Banco Master.
Os motivos são inúmeros: procedimentos fora dos
usuais e uma obsessão quase que doentia pelo controle de todos os processos
desta investigação. Nunca, nunca na história da recente República, um ministro
de Supremo demonstrou tanto interesse em um caso específico; Toffoli, neste aspecto,
conseguiu o exemplo (ruim, diga-se) de ultrapassar os limites já esgarçados
pelo seu colega de corte, o ministro Alexandre de Moraes em relação à chamada
ação penal do golpe.
Em menos de uma semana, Toffoli impediu que
policiais federais tivessem acesso às provas do processo, determinou que
peritos – indicados por ele – atuassem na perícia e, pasmem, determinou que as
provas fossem armazenadas no Supremo Tribunal Federal (STF).
E, para piorar o cenário, o ministro ainda reduziu o
prazo para a PF ouvir os investigados. Eram seis dias; o magistrado reduziu
para dois.
A situação foi tão esdruxula que a Associação dos
Delegados da Polícia Federal (ADPF) foi obrigada a se manifestar sobre o caso.
Eis o que os próprios delegados afirmaram, por meio
de nota oficial.
“Cumpre salientar, a título de exemplo, que, nem
mesmo no âmbito interno da Polícia Federal, a designação de peritos ocorre por
escolha pessoal ou nominal da autoridade policial. Tal cenário, de caráter
manifestamente atípico, além de causar legítima perplexidade institucional,
implica afronta às prerrogativas legalmente conferidas aos Delegados de Polícia
Federal para a condução técnica, imparcial e eficiente da investigação
criminal, comprometendo, inclusive, a adequada e completa elucidação dos fatos
em apuração”.
Os procedimentos adotados fora do rito, por si só,
causam espanto. Algo que alguns colunistas alinhados ao Planalto classificam
como, por exemplo, inusitado. O cenário fica ainda pior quando se constata,
que, no passado não muito distante, familiares do ministro Dias Toffoli tiveram
relações comerciais com parentes do banco Master, mais precisamente com o
cunhado de Daniel Vorcaro.
É tudo muito grave. É tudo muito estranho. É tudo
inaceitável do ponto de vista ético. Os ministros do STF adoram afirmar, em
seus pronunciamentos, que atuam em prol da estabilidade democrática no país. O
problema é que, ultimamente, eles se tornaram o principal fator de
instabilidade democrática da República brasileira.

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