Seis municípios do RN deixaram de arrecadar pelo
menos R$ 620,8 mil em taxas de licenciamento em 2025. Entre as cidades, São
Tomé aparece com o maior total, correspondente a R$ 294,3 mil, seguido de Nísia
Floresta, com R$ 179,1 mil. Os valores correspondem a taxas de licenciamento
relativas a empreendimentos de impacto local variados, como padarias, postos de
combustíveis e pousadas. A expectativa é que a regularização de novos
empreendimentos por meio do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário Potiguar
(CIM Potiguar), com apoio da FIERN, permita que as próximas taxas entrem nos
cofres dos municípios.
Os dados são do Instituto de Desenvolvimento
Sustentável e Meio Ambiente (Idema/RN) e foram cedidos à reportagem da TRIBUNA
DO NORTE pelo CIM Potiguar. Eles dizem respeito a São Tomé, Nísia Floresta, Bom
Jesus, Lajes Pintadas, Passa e Fica e São Paulo do Potengi. O valor de R$ 620,8
mil corresponde a taxas de licenciamento ambiental arrecadadas pelo Idema em 2025
com empreendimentos de impacto local. Esses valores poderiam ter integrado a
receita dos municípios caso o licenciamento já estivesse sendo realizado no
âmbito municipal. Com a criação do CIM Potiguar, as prefeituras passam a
assumir esse tipo de licenciamento, permitindo que as taxas deixem de ser
arrecadadas pelo Idema e passem a entrar diretamente nos cofres municipais.
Os seis municípios que deixaram de arrecadar R$
620,8 mil com taxas de licenciamento integram o CIM Potiguar e formam o
primeiro grupo a participar de um consórcio de licenciamento ambiental no
Estado. Com isso, estão aptos a iniciar a regularização de empreendimentos de
impacto local a partir deste ano. De acordo com a assessora jurídica do CIM
Potiguar, Raquel Teixeira de Brito, as cidades serão visitadas no próximo mês
para que sejam verificados quantos empreendimentos estão licenciados e quantos
ainda faltam.
Segundo ela, além do problema da concentração de
licenciamentos, os dados do Idema indicam que há um déficit na regularização de
empreendimentos locais, uma vez que o montante arrecadado com taxas de
licenciamento em algumas cidades está abaixo do esperado. É o caso de Bom
Jesus, com apenas R$ 7,4 mil de contribuição em 2025. “Vamos começar as visitas
com o fiscal de meio ambiente para verificar quais empreendimentos estão
regulares e irregulares. A partir disso, iniciaremos as autuações e
notificações para que esses empreendimentos venham a se regularizar”,
compartilha.
Atualmente, segundo dados levantados pelo CIM
Potiguar, apenas 12 dos 167 municípios potiguares licenciam empreendimentos,
enquanto os demais dependem do Idema. São eles: Natal, Parnamirim, São Gonçalo,
Extremoz, São José do Mipibu, Macaíba, Mossoró, Ceará-Mirim, Canguaretama,
Goianinha, Monte Alegre e Guamaré.
Raquel Teixeira de Brito explica que muitos
municípios perdem convênios e não conseguem dar celeridade a obras públicas,
além de investimentos voltados ao desenvolvimento local, por conta da falta de
equipe técnica. No caso das solicitações de emendas, por exemplo, embora
considerem desenvolver projetos, não conseguem obter o licenciamento.
Novos empreendimentos
O presidente da Federação dos Municípios do Rio
Grande do Norte (Femurn), Babá Pereira, aponta que a expectativa é que o
consórcio desafogue as demandas solicitadas junto ao Idema que estão ligadas a
empreendimentos de impacto local. “Estabelecimentos como padarias, por exemplo,
muitas vezes estão no município sem estarem legalizados porque há uma
dificuldade do órgão fiscalizador ir até o município fazer a regularização.
Então com a fiscalização mais perto, o empreendedor vai ter uma condição mais
próxima de fazer a regularização do seu empreendimento”, aponta Babá Pereira.
De acordo com Raquel Teixeira de Brito, o papel dos
municípios será o de fiscalizar os empreendimentos após a expedição da licença
e suporte técnico do consórcio. “Após a parte de instrução técnica e jurídica,
encaminharemos ao município uma minuta da licença. A partir disso, o prefeito
vai basicamente assinar, publicar, e o fiscal do município vai fazer o
acompanhamento”, explica.
Babá Pereira observa que a preparação dos municípios
para realizarem o licenciamento ambiental exigiu adequações no código de meio
ambiente dos municípios, a formação de conselhos municipais de meio ambiente,
realização de processo seletivo para contratação de técnicos e qualificação de
fiscais de meio ambiente.
Em dezembro de 2025, o CIM Potiguar realizou o
processo seletivo da equipe técnica junto ao Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RN). O
presidente da Femurn explica que o valor para a contratação dos técnicos será
dividido entre os seis municípios participantes do consórcio. Ele enfatiza, no
entanto, que os municípios ganharão com a possibilidade de receber as taxas de
licenciamento. “A receita vai ser do município, e o custo com os profissionais
vai ser pequeno, pois vai ser rateado entre os municípios”, reforça.
O Idema, por sua vez, apoiou os municípios do CIM
Potiguar na capacitação dos fiscais de meio ambiente e dos conselheiros
Municipais de Meio Ambiente. Já a FIERN, além de ter participado do processo
por meio do IEL-RN, cedeu um carro que será utilizado pelo consórcio no
processo de visitações aos municípios.
Segundo o presidente da Federação, Roberto Serquiz,
a expectativa é que a descentralização do licenciamento ambiental traga maior
segurança jurídica e fomente a formalização de novos empreendedores no Estado.
“Serão licenciados os empreendimentos de impacto local, com prioridade para
micro e pequenos negócios. Isso abre portas para a formalização, fortalece o
ambiente de negócios e amplia a segurança jurídica para quem deseja
empreender”, completa.
Somado ao consórcio, Serquiz frisa a importância de
atualizar a Lei estadual nº 272/04, que institui a Política e o Sistema
Estadual do Meio Ambiente, alvo de proposta realizada pela Federação. De acordo
com ele, após discussões técnicas entre o Idema e a Semarh, foi construída uma
proposta consensual. No momento, a FIERN aguarda uma conclusão dos diálogos do
Governo do Estado com outros participantes do processo.
“A proposta também fortalece a autonomia do órgão
ambiental e traz previsibilidade ao estabelecer prazos claros, o que confere
maior agilidade e segurança ao processo”, afirma.

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