Após diversas tentativas em vão de executar uma
dívida milionária do empresário João Appolinário, fundador da Polishop, a
Justiça tomou uma decisão inusitada. O juiz Renan Jacó Mota determinou a
penhora de bens encontrados dentro de imóveis do empresário.
“Dada a luxuosidade dos imóveis, certamente serão
localizados artefatos relevantes financeiramente que auxiliarão na quitação,
mesmo que parcial, da dívida”, afirmou o juiz do Tribunal de Justiça de São
Paulo (TJSP) na decisão.
A medida veio após várias tentativas de bloqueio de
bens de Appolinário. A primeira, via Bacenjud, localizou apenas R$ 30 em todas
as contas do empresário. A devassa ocorreu em maio de 2024, mesmo mês que a
Polishop apresentou pedido de recuperação judicial.
Alguns meses antes, Apolinário anunciou que aportou
R$ 20 milhões na empresa Decor Color. Ele conheceu a marca de tintas em um
episódio do Shark Tank, programa do qual era jurado. O reality show reúne
grandes empresários que avaliam projetos e iniciativas de jovens
empreendedores.
O investimento foi usado como argumento dos
advogados da Versuni Brasil, empresa que cobra R$ 24,9 milhões de Appolinário
no processo, para que o bloqueio de bens alcançasse companhias das quais o
fundador da Polishop é sócio. A tentativa também não teve sucesso.
O credor tentou avançar sobre offshores ligadas ao
fundador da Polishop. Também não alcançou qualquer valor relevante.
A Versuri pediu, então, a penhora dos imóveis que
estavam registrados no nome do empresário. A defesa rebateu que o empresário “resolveu
locar os referidos imóveis” para “manter a subsistência” dele e de sua família.
Foram penhoradas frações que o empresário possuía de
um duplex no bairro do Butantã e de duas salas comerciais no Jardim Paulista.
Mas o valor ainda estava longe de alcançar a dívida.
Aí veio a sugestão de penhorar bens que estariam
dentro de duas casas usadas pelo empresário, em endereços nobres da capital
paulista. No processo, os advogados listaram relógios de luxo, de marcas como
Rolex, Hermes, Montblanc e Farfetch, que fariam parte da coleção de
Appolinário.
O empresário pode recorrer da decisão. A coluna não
conseguiu contato com João Appolinário, o espaço permanece aberto para
eventuais manifestações.

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