Um executivo investigado por suposta lavagem de
dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) fez a ponte
entre a gestora de investimentos REAG e familiares do ministro Dias Toffoli, do
Supremo Tribunal Federal (STF), na compra do Resort Tayayá, em Ribeirão Claro
(PR).
A notícia é da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles.
Silvano Gersztel era o braço direito de João Carlos Mansur, fundador e ex-CEO
da REAG, nos tempos áureos da empresa. Desde agosto deste ano, é investigado
por sua participação em fundos de investimento criados pela REAG para, segundo
os investigadores, dar aparência de legalidade a dinheiro advindo de atividades
criminosas do PCC.
Em setembro de 2021, dois fundos administrados pela
REAG e representados por Gersztel — Arleen e Leal — compraram uma parte da
participação dos familiares de Dias Toffoli no Resort Tayayá. Por essa fatia,
os dois fundos pagaram R$ 20 milhões, narram o repórter Luiz Vassalo e colegas
no jornal O Estado de S.Paulo.
A coluna confirmou as informações em documentos da
Junta Comercial do Paraná e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Nos registros da Receita Federal, Gersztel aparece
como representante legal de dezenas de CNPJs associados à REAG. Era por meio desses
CNPJs que a empresa administrava os fundos de investimento agora investigados.
Parte desses fundos foi batizada com nomes de
personagens da animação infantil Frozen (2013), da Disney. É o caso dos fundos
Hans 95, Olaf 95 e Anna FIDC. Nome apropriado para estruturas jurídicas que
portavam “dinheiro frio” — ou seja, de origem ilegal.
Na época do investimento de R$ 20 milhões no Resort
Tayayá, os fundos Arleen e Leal tinham como único cotista o pastor e empresário
Fabiano Zettel. Ele é cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Como mostrou a coluna, o mesmo Resort acabou nas
mãos de um advogado de Goiás, Paulo Humberto Barbosa, que é sócio e
representante da gigante frigorífica J&F, dos irmãos Batista. Em 2023, a
J&F foi agraciada com uma decisão de Toffoli que suspendeu o pagamento da
multa bilionária da empresa.

Nenhum comentário:
Postar um comentário