O Rio Grande do Norte foi o estado que menos
investiu no Nordeste entre janeiro e outubro de 2025, de acordo com dados da
Secretaria do Tesouro Nacional. No período, apenas 3% da receita estadual foi
destinada a investimentos, percentual muito inferior ao registrado por estados
vizinhos como a Paraíba (11%) e o Ceará (7%).
Sob a gestão da governadora Fátima Bezerra, o RN
também apresentou o pior desempenho da região em investimento per capita. Foram
aplicados apenas R$ 106,55 por habitante, valor muito abaixo do que havia sido
previsto no orçamento anual, que estimava R$ 460,40 por pessoa. Em comparação
com o mesmo período de 2024, a queda nos investimentos chega a 40,8%.
Levantamento da Aequus Consultoria aponta que os
números refletem a fragilidade fiscal do estado. Desde 2019, início do atual
ciclo administrativo, o Rio Grande do Norte mantém a nota Capag C — índice que
mede a Capacidade de Pagamento dos estados —, o que restringe o acesso a
empréstimos com garantia da União. Em 2024, 43% de todo o investimento estadual
dependeu de operações de crédito.
O RN também encerrou o período com o menor volume de
investimentos empenhados por habitante em todo o Nordeste, reforçando a posição
de atraso em relação aos demais estados da região.
Especialistas indicam que o principal entrave é o
elevado gasto com pessoal. Até outubro de 2025, 73% das despesas estaduais
foram consumidas por folha salarial e encargos. No Poder Executivo, esse
percentual já ultrapassa o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade
Fiscal.
Economistas avaliam que a baixa capacidade de
investimento compromete a atração de novas empresas, limita a geração de
empregos e contribui para a estagnação econômica do estado, enquanto Ceará e
Paraíba avançam em infraestrutura e desenvolvimento.
Em nota, o governo Fátima Bezerra afirma que o
volume total de investimentos em 2025 alcançou R$ 605 milhões, o terceiro maior
dos últimos 16 anos. Ainda assim, analistas alertam que, apesar do discurso
oficial, o cenário fiscal do Rio Grande do Norte segue crítico e sem sinais
concretos de reversão no curto prazo.

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