O mercado brasileiro de remédios para emagrecimento
deve crescer fortemente a partir de março, com o fim da patente da semaglutida,
princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. A entrada de genéricos pode reduzir os
preços entre 30% e 50%.
Segundo relatório da UBS BB, o faturamento dos
medicamentos da classe GLP-1 pode atingir R$ 20 bilhões neste ano, quase o
dobro dos R$ 11 bilhões estimados para 2025.
Com a queda da patente, farmacêuticas como EMS,
Eurofarma e Hypera já se preparam para lançar versões genéricas. Dados da
Anvisa mostram ao menos 11 pedidos de registro com semaglutida e 7 com
liraglutida em análise.
A expectativa é ampliar o acesso, hoje restrito.
Apenas 1,1% das pessoas com sobrepeso e 2,5% dos obesos usam esses medicamentos
no Brasil. O preço ainda é uma barreira: as canetas custam entre R$ 900 e R$
3.000 e não são oferecidas pelo SUS.
Em 2025, a Conitec rejeitou a inclusão da
semaglutida no SUS por causa do alto impacto financeiro, estimado em R$ 7
bilhões em cinco anos. Com a chegada dos genéricos, o tema pode voltar à
discussão.
O avanço do mercado ocorre em meio ao crescimento da
obesidade no país. Hoje, 68% dos brasileiros estão acima do peso e 31% são
obesos.
Especialistas alertam que, mesmo com preços menores,
o acesso seguirá concentrado nas classes mais altas. Também há preocupação com
o uso sem prescrição e a venda de produtos irregulares, já alvo de operações da
Polícia Federal.
Novas drogas em desenvolvimento, como o retatrutide,
prometem perdas de peso ainda maiores, intensificando a disputa no setor.

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