Folha de São Paulo
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou
na noite desta quarta-feira (13) que a orientação para reter os dividendos
extraordinários da companhia veio do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ele disse ainda não considerar o episódio como
"intervenção na Petrobras", mas o "exercício soberano" dos
representantes do controle da empresa —no caso, o Estado brasileiro.
Desde quinta-feira (7), quando a companhia anunciou
que não faria o pagamento de dividendos extraordinários aos acionistas, as
ações caíram com o receio de que o governo petista vinha intervindo na empresa.
Em publicação na rede social X (antigo Twitter) na
noite desta quarta, Prates afirmou que a decisão de reter os dividendos
extraordinários veio do presidente Lula e de seus ministros.
"É legítimo que o CA [conselho de
administração] se posicione orientado pelo presidente da República e pelos seus
auxiliares diretos que são os ministros. Foi exatamente isso o que ocorreu em
relação à decisão sobre os dividendos extraordinários", afirmou.
Desde a campanha eleitoral que o levou ao terceiro
mandato, Lula defende que a Petrobras reduza a distribuição de dividendos, liberando
mais recursos para investimentos, estratégia oposta à adotada pelo
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que priorizou a remuneração dos acionistas.
A direção da Petrobras queria transferir ao
acionista metade do lucro excedente de R$ 43 bilhões no ano, mas prevaleceu o
entendimento dos ministérios de Minas e Energia e da Casa Civil sobre a
necessidade de poupar recursos para investimentos. Na reunião do conselho,
Prates se absteve.
A proposta de retenção foi levada ao conselho por
Pietro Mendes, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do
Ministério das Minas e Energia.
Reportagem da Folha mostrou que a medida foi vista
com surpresa por conselheiros ligados a acionistas minoritários, que
questionaram a falta de detalhes.
Fontes próximas ao processo relataram que a confusão
sobre a destinação dos dividendos desagradou Lula, que preferiu adiar a decisão
sobre o valor a ser distribuído liberando os representantes da União no
conselho a votar contra os dividendos extraordinários na reunião da quinta
passada.
No X, Prates afirmou que "a decisão foi
meramente de adiamento [dos pagamentos] e reserva [dos recursos]", e que
por isso o "mercado ficou nervoso".
"Falar em 'intervenção na Petrobras' é querer
criar dissidências, especulação e desinformação. É preciso de uma vez por todas
compreender que a Petrobras é uma corporação de capital misto controlada pelo
Estado brasileiro, e que este controle é exercido legitimamente pela maioria do
seu Conselho de Administração. Isso não pode ser apontado como intervenção! É o
exercício soberano dos representantes do controle da empresa", escreveu.
"Somente quem não compreende (ou
propositalmente não quer compreender) a natureza, os objetivos e o
funcionamento de uma companhia aberta de capital misto com controle estatal
pode pretender ver nisso uma intervenção indevida", afirmou Prates.
"Vamos voltar à razão e trabalhar para
executar, eficaz e eficientemente, o plano de investimentos de meio trilhão de
reais que temos pelos próximos cinco anos à frente, gerar empregos, renda,
pesquisa, impostos e também lucro e dividendos compatíveis com os nossos resultados
e ambições."
A repercussão negativa já levou o governo a ensaiar
um recuo.
Na segunda-feira (11), os ministros Fernando Haddad
(Fazenda) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) disseram que a empresa pode
rever a decisão caso comprove que tem condições financeiras de bancar seu plano
de investimentos.

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