quinta-feira, 16 de março de 2023

VÍDEO - RN instalou nos presídios “regime de opressão grave” com choques, espancamentos e torturas, diz pesquisadora

Portal 98FM

Detentos do Rio Grande do Norte passaram a ser submetidos a um “regime de opressão grave” dentro das cadeias depois do massacre na Penitenciária de Alcaçuz em 2017, segundo a antropóloga Juliana Melo, pesquisadora do sistema prisional potiguar.

De acordo com a especialista, após o conflito entre presidiários em Alcaçuz que deixou 27 mortos, os detentos passaram a sofrer choques, espancamentos e outras modalidades de tortura – que resultaram na eclosão dos ataques criminosos que atingem o Estado desde a madrugada de terça-feira (14).

O Governo do Estado admite que os ataques partiram de dentro dos presídios, após líderes de organizações criminosas não serem atendidos no pedido por “regalias”, como visitas íntimas e aparelhos de TVs. Familiares, porém, rebatem e afirmam que os presos sofrem torturas dentro dos presídios e querem melhores condições.

“Depois que a guerra foi concluída (em 2017), a gente teve reformas estruturais dentro do sistema prisional, com um novo aparelhamento, com maior controle da fuga de presos e de eventuais processos envolvendo corrupção. A gente tem uma outra dinâmica, mas, ao mesmo tempo, a instalação de um regime disciplinar fundamentado não ocasionalmente na prática da tortura e violações graves de direitos humanos”, destaca a pesquisadora.

Juliana Melo registra que presos têm tido direitos suspensos, como o acesso a remédios. “(Há) suspensão de direitos assegurados legalmente não cumpridos. Como não são cumpridos em grande parte das prisões brasileiras, mas isso se acentua no Rio Grande do Norte. Famílias tem denunciado essa situação há vários anos. Denunciado situações em que existem choques elétricos, espancamento, presos em posição de procedimento durante horas, ausência do acesso a remédios…”, acrescenta.

A antropóloga enfatiza que, recentemente, o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) fez inspeções em presídios potiguares e detectou violações de direitos humanos. As vistorias foram feitas em novembro de 2022 pelo órgão e os resultados serão compilados em um relatório que será finalizado em breve. As conclusões preliminares foram divulgadas em reportagem do portal G1.

O órgão identificou, também, que presos estão recebendo marmitas com comida estragada a ponto de o cheiro provocar náuseas, além de presos em tratamento inicial de tuberculose usados como vetor de contaminação para castigar outros detentos saudáveis, reclusão por mais de trinta dias em celas de castigo e torturas físicas e psicológicas.

“Recentemente, o Mecanismo fez inspeções em presídios do Rio Grande do Norte e encontrou situação catastrófica e que será demonstrado em relatório”, pontua.

A especialista declara que os ataques criminosos registrados no Rio Grande do Norte têm relação com a situação dentro das cadeias.

“A gente fez algumas reformas estruturais e arquitetônicas no âmbito da prisão, mas ao mesmo tempo foi instalado um regime de opressão grave e violação de direitos humanos, que precisa ser levado a sério. Os presos já fizeram tentativa de denunciar isso, mas as denúncias não têm eco, tanto no Judiciário, como na sociedade civil, que não vê legitimidade alguma nos pleitos e vê no fato de não ser torturado que é demandar regalia”, finaliza.

Veja vídeo:

 



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