Em mensagem enviada em abril de 2024, a lobista
Roberta Luchsinger disse que um empresário, Marcelo Bittencourt, e um homem
chamado Zé estavam tentando captar recursos para o documentário de Oliver Stone
em governos estaduais do PT. Na mesma mensagem, Luchsinger diz que “estão
captando muito dinheiro usando o nome do presidente. Ele odeia isso”.
A mensagem de Luchsinger foi enviada ao ex-assessor
do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Gustavo Gaspar. Os dois tinham um
relacionamento amoroso à época.
“Amor, seguinte … o Fábio (Luís Lula da Silva, o
Lulinha) tava agora falando comigo q o Marcelo (Bittencourt, empresário amigo
de Roberta) junto do Zé tá indo em todos os estados onde o PT governa pra
captar dinheiro pro filme do Oliver Stone …”, diz ela na mensagem.
“O pai do Fábio (o presidente Lula) achou o filme
uma bosta, falou pra eu assistir e depois ir lá falar com ele. Mas q estão
captando mto dinheiro usando o nome do presidente. Ele odeia isso. Bom, coisas
de Zé .::”, diz o texto.
Marcelo Bittencourt é um empresário com interesses
na área de infraestrutura e amigo de Luchsinger. Ele é casado com Ana Alencar,
uma designer de joias amiga de Roberta Luchsinger.
Nesta sexta-feira, uma reportagem da revista Veja
revelou um áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em
que fala sobre financiamento para o documentário de Oliver Stone sobre Lula.
Segundo a reportagem de Veja, o pagamento foi operado por meio do Instituto
Lula, a ONG dedicada a preservar o legado do presidente.
A lobista costumava comprar peças dela para
presentear mulheres de autoridades do governo, como a jornalista Nicole
Briones, esposa do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro
Marcola.
Em março de 2024, numa conversa com o próprio
Marcelo Bittencourt, Roberta Luchsinger pede que ele envie “alguma coisa de
material” para que ela possa dar “uma sondada” com o Governo do Maranhão sobre
um possível apoio ao filme. Em resposta, Marcelo diz: “Claro”. “Vou te mandar o
que enviei para os outros parceiros”.
Marcelo, então, envia a Roberta Luchsinger um texto
explicativo “sobre a cota do filme”. Segundo a mensagem, um investimento de US$
300 mi dá direito a “dois ingressos para a estreia que terão 250 pessoas com a
presença do presidente (Lula) e do Oliver Stone”.
Por US$ 500 mil, o patrocinador obtém quatro
convites para o mesmo evento no Brasil e mais dois ingressos para o Festival de
Cannes, na França, “com a possibilidade de colocar o logo no filme como
apoiador”.
Por US$ 1 milhão, o apoiador conseguiria dois
convites para o lançamento em Cannes, em maio daquele ano, e mais quatro
ingressos para eventos no Brasil. Também “poderá usar o espaço do lançamento
para se colocar como apoiador do projeto”.
Em julho de 2024, numa conversa com o então
embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, Roberta Luchsinger fala
sobre Marcelo Bittencourt para o diplomata.
“O marido dela é também uma pessoa muito
interessante que o senhor irá conhecer. Ele foi o financiador do filme do
Olivier (sic) Stone sobre o presidente Lula. São ótimas pessoas”, diz a
lobista.
As mensagens mostram, ainda, que o filho mais velho
do presidente Lula, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, se
envolveu na organização do filme. Em março de 2024, ele enviou uma mensagem
sobre o assunto no grupo de WhatsApp Musaranhos, mantido por ele, Roberta
Luchsinger e Kalil Bittar.
“É o documentário do Oliver Stone”, diz ele. “Quem
ficava trocando cartinha do Oliver e meu pai preso era eu toda quinta feira”,
diz Lulinha. “Fazia a ponte com Fernando Morais”, diz ele. O filho do
presidente provavelmente se refere ao escritor Fernando Morais, biógrafo de
Lula e que atuou como consultor no documentário de Oliver Stone.
As apurações em torno de Roberta Luchsinger tiveram
início em meados do ano passado, com a investigação da chamada “Farra do INSS”
— um esquema de descontos ilegais de parcelas das aposentadorias de segurados
do INSS. Luchsinger atuou em conjunto com um dos principais investigados, o
lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Com informações de Andreza Matais - Metrópoles

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