O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou
por entrar diretamente na disputa interna do Supremo Tribunal Federal (STF) ao
declarar publicamente que o ministro André Mendonça utilizou o cargo para fazer
política, é o que aponta o comentarista da CNN Brasil, William Waack. A
manifestação ocorreu em meio a desdobramentos de investigações que ligam
mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a interlocuções com o ministro
Alexandre de Moraes.
De acordo com a análise de Waack, a postura do chefe
do Executivo representa uma inflexão em sua tradicional cautela em relação ao
Judiciário. Ao escolher um lado na fratura institucional da Corte, o governo
embarca oficialmente na crise que afeta o funcionamento e a imagem dos
tribunais superiores.
“O chefe do executivo brasileiro assumiu um lado na
briga dentro do judiciário. O presidente Lula disse que o ministro André
Mendonça utilizou o cargo para fazer política, dizendo que isso está
provado. Seria o caso de se convocar Lula como testemunha, pois no
Supremo ainda não se decidiu, quer dizer, não se julgou se Mendonça fazia
política”, comentou o jornalista e âncora da CNN.
Waack disse ainda que o foco das atenções recai sobre
a atuação de Alexandre de Moraes, apontado como articulador de uma ação
política que uniu lideranças da Câmara e do Senado para aprovar pautas cruciais
para a campanha de reeleição de Lula. Para o comentarista, o envolvimento
explícito do Planalto consolida um alinhamento interno onde a ala governista
busca blindar o magistrado alvo dos vazamentos.
A ofensiva ocorre paralelamente a estratégias
tradicionais de mobilização popular e econômica, como o anúncio de reajustes no
Bolsa Família planejados para coincidir com o período eleitoral do segundo
turno. “Nenhuma surpresa, porém, foi o anúncio feito por Lula de que vai
aumentar o bolsa-família para coincidir com o segundo turno das eleições. Isso
é típico, qualquer populista, Lula em especial. O típico é promover a
festa hoje e alguém que pague depois a conta”, concluiu William Waack.
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