segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Sob investigação da PF, empresário com R$ 58 milhões em contratos federais mantinha linha direta com Lulinha e lobistas

 


A Polícia Federal investiga os laços entre o empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). A companhia de Ribas acumulou R$ 58 milhões em contratos federais desde o início da atual gestão, conforme apuração dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa Borges publicada pela revista Veja neste domingo (30).

Um dos três inquéritos contra Lulinha na Polícia Federal examina conexões com a Dataprev e Ribas. Mensagens indicam que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger, apontada como sócia oculta de Lulinha para destravar contratos na Dataprev e no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

Em registros obtidos pelos investigadores, Lulinha orienta a lobista a emitir nota fiscal para ser paga por Ribas, indício interpretado como remuneração por tráfico de influência.

Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele queria falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”. Em abril, a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião com Fábio e comentou a posse do novo presidente da Dataprev.

Em setembro de 2024, Ribas firmou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público para evitar prisão por corrupção, após investigações apontarem que ele intermediou R$ 218 mil em vantagens indevidas a um ex-gestor do Mato Grosso entre 2006 e 2010. Apesar das restrições judiciais do acordo que incluiu doações a entidades sociais e abstenção de frequentar bares e casas de prostituição, o empresário visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou novos contratos com o MDS, pasta comandada por Wellington Dias. Ribas nega irregularidades.

Em sua defesa, o empresário minimiza as acusações e atribui sua proximidade recente com Lulinha a um laço de amizade consolidado após descobrir um câncer em junho de 2024, afirmando que o filho do presidente chegou a raspar a cabeça em solidariedade à sua condição médica. A defesa de Lulinha alega cooperação com as investigações e nega ilícitos, enquanto o presidente Lula declarou que não interferirá nas apurações.

Com informações da Revista Veja e Diário do Poder

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Lula sanciona lei que pode retirar até R$ 16,6 bilhões da saúde e educação no Orçamento 2027

  Um dia depois de se apresentar no Jornal Nacional como candidato à Presidência comprometido com os mais pobres, Luiz Inácio Lula da Silva ...