O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre de Moraes foi um dos responsáveis pelo aumento dos atritos entre Lula
e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele estava no time que
encorajou senadores a votarem contra a indicação do advogado-geral da União,
Jorge Messias, a uma vaga no tribunal. Agora, porém, ele foi o anfitrião do
acordo de paz entre os dois para salvar a própria pele.
Moraes estava entre os principais interlocutores de
Luiz Inácio Lula da Silva no Judiciário. O ministro era ouvido para indicações
de vagas em tribunais e era apontado como um importante aliado do presidente em
julgamentos. Depois que Messias foi rejeitado pelo Senado, a situação mudou.
Na avaliação de integrantes da cúpula do Judiciário,
Moraes tem interesse não apenas em reconciliar Lula com Alcolumbre, mas de
ficar perto de ambos. Essas relações podem ser fundamentais para a
sobrevivência do ministro no Supremo. Aguardam deliberação no Senado dezenas de
pedidos de impeachment contra integrantes do tribunal. Um dos alvos mais
frequentes é Moraes.
Para o ministro, o ideal seria ver Lula reeleito em
outubro e Alcolumbre mantido no comando do Senado em 2027. Com essa
configuração, seria mais fácil impedir a abertura de processos de impeachment
contra integrantes do Supremo. Mas, para que o cenário atual se repita no ano
que vem, Moraes precisa ver azeitada a relação dos três. E que Lula se esqueça
da atuação de Moraes para barrar a indicação de Messias.
Para colocar o plano em curso, Moraes organizou um
jantar para Lula e Alcolumbre, com a ajuda do ministro Cristiano Zanin, um dos
principais aliados de Lula no Supremo. O evento ocorreu na última terça-feira,
4, na casa de Moraes, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Como mostrou o
Estadão no sábado, o clima foi de “acerto de contas” com um pacto em que Lula,
se reeleito, apoiaria mais uma gestão de Alcolumbre e Hugo Motta no comando do
Congresso.
Moraes, no entanto, ainda não conseguiu conversar
com Messias, que tem recusado a tentativa de aproximação do ministro o Supremo.
Integrantes do governo Lula atribuem a derrota histórica no Senado à campanha
feita por adversários de Messias que não tinham interesse em vê-lo tomar posse
na Corte - entre eles, Moraes e Alcolumbre.
A dupla tem relação de amizade e preferia ver o
senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no Supremo. Para Moraes, a nomeação de Messias
poderia significar seu próprio enfraquecimento. Isso porque o advogado-geral é
amigo de André Mendonça, que fez campanha para ele no Senado.
Mendonça tem conquistado poder no STF especialmente
por ser o relator de duas das investigações politicamente mais importantes: a
do Banco Master e a dos desvios no INSS. O próprio Moraes foi mencionado no caso
Master, devido ao contrato de R$ 129 milhões mantido entre a mulher dele, a
advogada Viviane de Moraes, e o banco. Lula e Alcolumbre, por sua vez, também
estão envolvidos nos dois escândalos.
Dentro do tribunal, Mendonça é visto como um
ministro prudente na condução dos dois casos. Com um novo aliado na Corte,
poderia amealhar ainda mais poder internamente.
Há, porém, uma pedra no caminho de Moraes na costura
da paz entre Lula e Alcolumbre. A pessoas próximas o presidente da República
anunciou que quer apresentar novamente o nome de Messias ao Senado. Para se
manter na órbita do presidente, Moraes vai precisar colocar a resistência ao
nome do advogado-geral de lado.
Lula também tem dito a interlocutores que não deve
indicar seu candidato ao Supremo antes das eleições de outubro. Se o petista
for derrotado nas urnas, será do próximo mandatário o direito de escolher o
próximo ocupante da vaga aberta no STF.
Estadão

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