O relatório de 265 páginas apresentado pela Polícia
Federal ao STF, no âmbito da Operação Sem Desconto, indiciou 48 pessoas por
fraudes em descontos previdenciários que somam cerca de R$ 6 bilhões. Entre os
indiciados está o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, indicado ao
cargo durante o governo Lula e já preso preventivamente desde o ano passado.
Os indiciamentos propostos pela PF deixam claro que
o PT tentou blindar aliados durante os trabalhos da CPMI do INSS. O documento
confirma exatamente o que a comissão já havia apurado meses antes, segundo o
ex-presidente da CPMI, senador Carlos Viana (PSD-MG).
Em nota, Viana classificou como decisão
"política", e não técnica, a rejeição do relatório final da CPMI,
elaborado pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), reprovado por 19 votos a 12 após
manobra da base governista para incluir parlamentares que não integravam o
colegiado na votação.
"Foi exatamente isso que a CPMI documentou.
Mais de 4 mil páginas entregues à PGR, 216 pedidos de indiciamento, a voz que
insistiu quando muitos queriam abafar. O relatório foi rejeitado por decisão
política, não por falta de provas. E hoje a Polícia Federal começa a confirmar,
no papel, o que a comissão já havia apontado", afirmou o senador.
Durante os trabalhos da comissão, a base do PT
enfrentou acusações recorrentes de tentar proteger nomes ligados ao governo,
incluindo o próprio Stefanutto, que atuou na transição entre os governos
Bolsonaro e Lula, chegando a barrar requerimentos de quebra de sigilo,
convocações e pedidos de prisão contra investigados próximos ao Planalto. O
relatório rejeitado pela maioria governista também pedia o indiciamento e a
prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Agora, com a confirmação do indiciamento pela
própria PF, apontando os mesmos nomes que a base governista tentou proteger, as
conclusões serão encaminhadas à Procuradoria-Geral da República, que decidirá
sobre o oferecimento de denúncia contra Stefanutto e os demais investigados.

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