O governo dos Estados Unidos deu como encerradas as
negociações com o Brasil e confirmou, nesta quarta-feira (15), a aplicação de
um novo tarifaço contra produtos brasileiros. A informação foi transmitida a
interlocutores do governo Lula pelo chefe do Escritório do Representante
Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, que já levou a recomendação
final ao presidente americano Donald Trump.
Segundo apuração da CNN Brasil, a última reunião
bilateral ocorreu na terça-feira (14), em Washington, e Greer se queixou da
postura brasileira ao dar as discussões por encerradas. Apesar de confirmar a
tarifa, o representante americano sinalizou um possível aumento na lista de
produtos isentos, embora tenha descartado a criação de uma lista dinâmica de
exceções.
O processo tem como base a Seção 301 da Lei de
Comércio dos Estados Unidos e prevê duas sobretaxas distintas: uma tarifa
adicional de 12,5%, aplicada a mais de 60 países sob a justificativa de combate
ao trabalho forçado nas cadeias produtivas, e uma taxa específica de 25% sobre
produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo do Brasil adota práticas
que oneram ou restringem o comércio com empresas americanas. Inicialmente, o
anúncio de Trump chegou a mencionar mais de 4 mil produtos afetados, mas fontes
do governo brasileiro avaliam que o alcance final pode ser menor, como ocorreu
no tarifaço anterior.
Do lado brasileiro, o ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, já rebateu os argumentos do USTR,
afirmando faltar embasamento técnico às investigações da Seção 301. O chanceler
Mauro Vieira também enviou carta a Greer classificando a investigação como
arbitrária e parte de uma pressão econômica generalizada dos EUA contra o
Brasil.
A disputa comercial já soma cinco reuniões de alto
nível entre as autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando Lula e Trump
decidiram criar um grupo de trabalho para o diálogo comercial. Em nota, o
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reiterou
que qualquer sobretaxa é injusta e não representa o caminho adequado para um
acordo bilateral.
O setor do agronegócio brasileiro, apontado como um
dos mais afetados pela medida, mobilizou lideranças em reuniões de emergência
na última semana, com participação de entidades como a Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e
representantes do setor cafeeiro, incluindo o Conselho dos Exportadores de Café
do Brasil (Cecafé). Segundo o Brasil pode se tornar o segundo país mais tarifado
pelos Estados Unidos caso a medida seja confirmada em sua totalidade.
Dentro do governo Lula, avalia-se ainda que, caso a
tarifa seja de fato implementada, uma negociação mais efetiva só deverá ocorrer
após as eleições de outubro, já que o resultado eleitoral no Brasil pode
influenciar a postura americana nas próximas etapas da disputa comercial.

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