quarta-feira, 15 de julho de 2026

EUA confirmam tarifaço ao governo brasileiro e sinalizam novas exceções

 


O governo dos Estados Unidos deu como encerradas as negociações com o Brasil e confirmou, nesta quarta-feira (15), a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros. A informação foi transmitida a interlocutores do governo Lula pelo chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, que já levou a recomendação final ao presidente americano Donald Trump.

Segundo apuração da CNN Brasil, a última reunião bilateral ocorreu na terça-feira (14), em Washington, e Greer se queixou da postura brasileira ao dar as discussões por encerradas. Apesar de confirmar a tarifa, o representante americano sinalizou um possível aumento na lista de produtos isentos, embora tenha descartado a criação de uma lista dinâmica de exceções.

O processo tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e prevê duas sobretaxas distintas: uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada a mais de 60 países sob a justificativa de combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas, e uma taxa específica de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo do Brasil adota práticas que oneram ou restringem o comércio com empresas americanas. Inicialmente, o anúncio de Trump chegou a mencionar mais de 4 mil produtos afetados, mas fontes do governo brasileiro avaliam que o alcance final pode ser menor, como ocorreu no tarifaço anterior.

Do lado brasileiro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, já rebateu os argumentos do USTR, afirmando faltar embasamento técnico às investigações da Seção 301. O chanceler Mauro Vieira também enviou carta a Greer classificando a investigação como arbitrária e parte de uma pressão econômica generalizada dos EUA contra o Brasil.

A disputa comercial já soma cinco reuniões de alto nível entre as autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando Lula e Trump decidiram criar um grupo de trabalho para o diálogo comercial. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reiterou que qualquer sobretaxa é injusta e não representa o caminho adequado para um acordo bilateral.

O setor do agronegócio brasileiro, apontado como um dos mais afetados pela medida, mobilizou lideranças em reuniões de emergência na última semana, com participação de entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e representantes do setor cafeeiro, incluindo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Segundo o Brasil pode se tornar o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos caso a medida seja confirmada em sua totalidade.

Dentro do governo Lula, avalia-se ainda que, caso a tarifa seja de fato implementada, uma negociação mais efetiva só deverá ocorrer após as eleições de outubro, já que o resultado eleitoral no Brasil pode influenciar a postura americana nas próximas etapas da disputa comercial.

 

 

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