A pouco mais de um mês do início oficial da campanha
eleitoral, a pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta
disputas internas por espaço nas áreas de comunicação, programa de governo e
jurídico.
Segundo a Folha de S.Paulo, um dos episódios ocorreu
durante uma discussão entre o ministro da Secretaria de Comunicação (Secom),
Sidônio Palmeira, e o chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana
Ribeiro, o Marcola, sobre a estratégia de comunicação da campanha. De acordo
com aliados, Lula precisou interromper o debate ao dar um soco na mesa.
A reportagem afirma que o desentendimento começou
após o presidente criticar o tom festivo de uma peça publicitária produzida
pela Secom. Sidônio teria defendido o material, enquanto Marcola apoiou a
posição de Lula. Auxiliares de Sidônio negam qualquer mal-estar e afirmam que o
ministro permanecerá no governo por decisão do presidente.
Outro foco de divergência envolve a elaboração do
plano de governo. O coordenador do programa, Sérgio Gabrielli, criticou a
política de juros no combate à inflação, o que gerou reação do ministro da
Fazenda, Fernando Haddad. Após o episódio, Lula determinou que o programa só
seja debatido publicamente com o aval da equipe econômica.
Também há impasse na coordenação jurídica da
campanha. Lula defende uma atuação mais política contra fake news e o uso de
inteligência artificial nas eleições, enquanto o presidente do PT, Edinho
Silva, prefere manter parte da equipe jurídica de 2022.
À Folha, Edinho negou qualquer disputa. “Não há
nenhuma disputa no jurídico da campanha. A equipe está em pleno trabalho na
pré-campanha presidencial.” Já o advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou:
“Respeito a opinião dele [Edinho]. Mas tenho uma opinião distinta sobre o papel
do coordenador jurídico sem um papel político.”

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