A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai ouvir ao menos
65 alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital, para
identificar os responsáveis pela criação e divulgação de uma lista que
classificava estudantes em categorias com conotação sexual.
Nesta quinta-feira (9), sete alunas estiveram na
delegacia para prestar depoimento. O diretor da escola foi ouvido na quarta
(8). Ele afirmou que a escola está tentando apurar internamente quem foram os
responsáveis.
– Nós recebemos a informação desse caso há mais ou
menos dois dias e desde então estamos empreendendo os esforços para reunir
todos os registros de ocorrência para fazer a investigação de forma
centralizada. É um caso que causa uma repulsa muito grande, principalmente aos
pais ao verem os nomes das filhas nessa lista – afirmou a delegada Maria Luisa
Machado, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), à
GloboNews.
De acordo com a investigadora, as estudantes estão
sendo ouvidas por meio do procedimento de depoimento especial, utilizado em
casos envolvendo vítimas em situação de vulnerabilidade.
– Vamos dar amplitude para conseguir identificar a
autoria por meio dos depoimentos – disse.
De acordo com a delegada, a lista foi criada de
forma totalmente anônima, o que dificulta a identificação dos responsáveis. A
expectativa é que os depoimentos ajudem a esclarecer quem produziu e divulgou o
conteúdo. A polícia informou ainda que os envolvidos poderão responder, em
tese, pelos crimes de injúria e difamação.
A lista foi criada em uma plataforma online no
formato “tier list”, em que temas são divididos em categorias preestabelecidas.
As estudantes foram classificadas nas categorias “GOAT” (“melhor de todos os
tempos”, em inglês), “Comeria no lucro”, “Bêbado vai”, “Me arrependi depois” e
“Nem olharia”.
Em nota, o Colégio Cruzeiro diz que registrou um
boletim de ocorrência e denunciou o caso à plataforma, que já retirou o
conteúdo.
– O Colégio Cruzeiro, sintonizado com as questões da
sociedade contemporânea, reprova e repudia quaisquer atitudes que exponham
estudantes. Registramos um boletim de ocorrência, fizemos uma denúncia à
plataforma de veiculação exigindo a retirada do conteúdo (já retirado do ar),
alertamos os responsáveis e estamos dando apoio às alunas e suas famílias –
afirmou a instituição.
Pleno News

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