Os jovens entre 16 e 24 anos que vão liderar,
empreender e conduzir o país nas próximas décadas são, hoje, os mais infelizes
entre todas as faixas etárias, inclusive no trabalho e nas redes sociais. Essa
é a conclusão do “Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026” – primeira pesquisa
nacional conduzida sob a metodologia da ciência da felicidade.
O estudo realizado pela pesquisadora Renata Rivetti
em parceria com o Instituto Ideia, ouviu 1.500 brasileiros de todas as regiões
do país entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, com nível de confiança de
95%, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 10 recortes demográficos e
sociocultural, incluindo gênero, raça, geração, classe social, região e orientação
sexual.
Esse público é menos satisfeito com a própria vida e
relata ter menos pessoas com quem contar, demonstrando também uma relação
significativamente mais negativa com o trabalho. Ao mesmo tempo, são também os
que mais sofrem com a comparação social nas redes sociais.
O cenário contraria a percepção de que a juventude
representa a fase de maior entusiasmo, vitalidade e perspectiva de futuro. Na
prática, os dados revelam uma geração que enfrenta mais sofrimento emocional do
que pessoas muito mais velhas.
“A juventude deveria representar energia, construção
de projetos e descoberta de possibilidades. Quando justamente esse grupo relata
níveis menores de satisfação com a vida, menos apoio e maior sofrimento
cotidiano, estamos diante de um sinal importante sobre a forma como nossa
sociedade está funcionando”, afirma Renata Rivetti.
Entre os principais resultados da
pesquisa estão:
- apenas
33% dos jovens dizem estar muito satisfeitos com a vida, contra média de
47,9% entre pessoas acima de 25 anos
- somente
32,5% afirmam estar satisfeitos com a vida que levam, enquanto entre as
demais faixas etárias esse índice chega a 50,5%
- 79%
dizem ter pessoas com quem contar, percentual inferior aos 88,5%
observados entre adultos mais velhos
- 81%
se consideram felizes, contra 90,8% nas demais idades
- 27%
se sentem preocupados frequentemente, contra 18% entre os mais velhos
Na avaliação de Renata Rivetti, esse é um debate que
ultrapassa a esfera individual. “Muitos deles já participam das decisões
políticas do país por meio do voto. Quando uma geração inteira relata menos
felicidade, menos conexão humana e mais sofrimento no trabalho, a discussão
deixa de ser apenas sobre saúde mental. Passa a ser sobre desenvolvimento
social, econômico e sobre o futuro que estamos construindo”, aponta a
pesquisadora.
O Tempo

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