O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal
Federal (STF), buscou se aproximar do presidente Lula para tentar emplacar o
nome de seu aliado Henrique Gouveia da Cunha como desembargador no Tribunal
Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A conversa, porém, que incluiu até um
uísque entre os dois, bebida que foi levada pelo magistrado, não foi tão
frutífera.
Lula, ao comentar o episódio com alguns aliados,
deixou claro seu estranhamento com os movimentos de Nunes Marques,
especialmente no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma das decisões
que geraram incômodo foi justamente a suspensão da divulgação da pesquisa
AtlasIntel, que mostrava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro.
O ato atendeu ao pedido da campanha do candidato,
que alegou ter sido prejudicada pelo áudio na última etapa da pesquisa, em que
Flávio pedia a Daniel Vorcaro recursos para financiar um filme inspirado na
biografia do pai.
Apesar do esforço para garantir a indicação de seu
juiz auxiliar, Lula sinalizou a interlocutores que não deve se apressar em
tomar uma decisão sobre o nome para o TRF-1. É uma forma de manter um
equilíbrio entre os interesses políticos e o funcionamento da máquina
judiciária.
Vale lembrar que Lula já atendeu a alguns
apadrinhados de Nunes Marques, entre eles João Carlos Mayer para o TRF-1 e
Carlos Brandão para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas, diante do
cenário atual, a indicação de Henrique Gouveia da Cunha não deve ser um caminho
tão simples para o ministro.
Bela Megale - O Globo
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