A cúpula do PT iniciou nesta segunda-feira, 13, uma
ofensiva nas redes sociais para pressionar o presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (União Brasil-AP), a pautar a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) pelo fim da escala 6x1 até o próximo dia 16, antes do recesso
parlamentar. Mas as duas operações da Polícia Federal que fecharam o cerco
contra o orçamento secreto das emendas parlamentares, na semana passada, tendem
a piorar a já desgastada relação do Palácio do Planalto com o Congresso.
Anunciada por líderes do governo como praticamente
certa, a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre
ainda não foi marcada. A crise piorou porque, no diagnóstico do senador – e
também do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) –, Lula está por
trás do bloqueio de emendas determinado pelo ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Flávio Dino.
Apesar de só Motta ter divulgado até agora uma nota
de repúdio à ação da Polícia Federal – mesmo porque a operação atingiu apenas
ex-deputados federais –, Alcolumbre não escondeu sua irritação com o episódio,
em conversas reservadas. No Congresso, o comandante do Senado é apontado como
um dos artífices do orçamento secreto, prática revelada pelo Estadão.
A decisão de Dino atingiu o presidente do PL,
Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha
(Republicanos-MG), padrinho político de Motta, expoente do Centrão. O ministro
do STF determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar e suspensão
de emendas indicadas por ele. Além disso, mandou barrar R$ 6 milhões de emendas
que, de acordo com a PF, teriam sido desviadas por Cunha. Ex-ministro da
Justiça, Dino foi indicado por Lula para ocupar uma cadeira na Corte.
Se antes já havia um ambiente hostil para Lula,
principalmente no Senado, tudo piorou após a nova operação da Polícia Federal.
A portas fechadas, senadores dizem não ter dúvidas de que, mais cedo ou mais
tarde, as diligências chegarão à Casa de Salão Azul. E, nos bastidores, até petistas
admitem que votações classificadas como bandeiras da campanha de Lula ao quarto
mandato, como o fim da jornada de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública,
devem ficar para depois das eleições de outubro.
A avaliação sobre como driblar as dificuldades do
governo no Congresso foi feita nesta segunda-feira durante reunião entre
coordenadores da campanha de Lula.
O presidente do PT, Edinho Silva, gravou um áudio
para o grupo “Porta-Vozes do Lula” no qual pede empenho de todos na ofensiva
das mídias digitais, que é acompanhada da hasthtag #AprovaSenado.
“Estaremos dando início a uma grande campanha de
mobilização nas redes sociais para que a gente possa pressionar o Senado a
votar o fim da jornada 6x1”, disse Edinho. “A PEC já foi aprovada na Câmara. Precisamos
fazer com que a PEC seja aprovada também no Senado Federal.”
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares,
foi na mesma linha. “Esta semana é importantíssima, é a última semana antes do
recesso. Então, vamos nos mobilizar, vamos botar pressão total. Aprova, Senado,
o fim da escala 6 por um!”, exclamou ele em vídeo publicado nas redes sociais.
As férias de meio de ano do Congresso começam oficialmente no sábado, 18, e vão
até o dia 31 deste mês.
Pré-candidata ao Senado por São Paulo, a ex-ministra
do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) também aderiu à campanha e apareceu nas
redes cobrando a atuação dos senadores. “A Câmara dos Deputados já aprovou (o
fim da escala 6x1), graças à grande mobilização da sociedade brasileira e dos
parlamentares que defendem os direitos dos trabalhadores. Agora é a vez do
Senado fazer a sua parte”, insistiu.
Embora Alcolumbre tenha dito que não aceitará
ameaças depois que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme
Boulos, e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), deram entrevistas em tom
duro, afirmando que ele seria “responsabilizado” por engavetar a PEC do fim da
escala 6x1, a ordem nas fileiras petistas foi não se curvar ao presidente do
Senado.
O líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), chegou
a dar um “puxão de orelha” nos colegas, sob o argumento de que ataques na linha
“Congresso, inimigo do povo” só pioram a relação. “Temos que lembrar que somos
governo e precisamos sempre dialogar para destravar os projetos de interesse do
Brasil”, destacou Camilo. Até agora, no entanto, a tentativa do senador de pôr
panos quentes na crise não adiantou.
Alcolumbre também não pautou ainda a apreciação da
Medida Provisória do governo que endurece a fiscalização sobre o piso do frete
estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Editada em março, A MP do Frete – como ficou
conhecida –foi decisiva para segurar a greve dos caminhoneiros em vários pontos
do País. Mesmo aprovada pela Câmara, a medida está parada no Senado e perde a
validade na próxima quinta-feira. Se não receber sinal verde, os caminhoneiros
ameaçam novamente cruzar os braços.
Estadão

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