Dentre tantas brincadeiras inerentes aos festejos
juninos, o “pau de sebo” chamava a atenção de transeuntes, trabalhadores e até
mesmo das pessoas que passavam em carros, na manhã do sábado (20), na
confluência da avenida Presidente Bandeira e rua dos Caicós, no Alecrim. “No
início foi um resgate de uma tradição do interior, hoje é a manutenção dessa
tradição. A gente resgatou há 30 e mantém todos os anos”, disse Washington Reis
de Almeida, dono da loja Basar São Paulo, herdada do pai, que iniciou o negócio
há 40 anos: “Antes, era uma barraquinha, na calçada”.
O incentivo da brincadeira junina é uma premiação de
R$ 400. O valor fica preso ao pau de madeira de pinho, com oito metros, untado
de sebo de carneiro. Ganha o dinheiro quem conseguir arrancá-lo do topo – sendo
R$ 200 na ponta e duas notas de R$ 100 mais abaixo para não tornar a empreitada
nem tão difícil.
Para botar a mão no dinheiro, os participantes
formam uma pirâmide humana, untam o corpo e as mãos de areia para tirar o sebo
do pau, a cada tentativa de subida ao mastro erguido no canteiro da antiga
avenida 2.
“Todo ano brinco aqui, faz mais de dez anos”, diz Crisaldo Souza da Silva, que
trabalha fazendo bicos na feira do Alecrim: “Quem tira, divide tudo, a gente
compra uma pinga, faz a brincadeira”.
O estudante Antonio Pedro Pires Mota, 12 anos,
acompanhado do irmão e da mãe, veio exclusivamente ver, pela primeira vez e ao
vivo, como era a brincadeira do pau de sebo. “Eu descobri ontem, no YouTube,
uma brincadeira no Mato Grosso, mas nunca tinha visto em Natal”, disse.
“Achei muito legal, o pessoal vive a adrenalina, subir, escorregar, pegar o
dinheiro e dividir, o importante é se divertir”, comemorava Antonio.
Origem
A brincadeira do “pau de sebo” ou “mastro de
cocanha” é originária de Portugal e chegou ao Brasil junto com as festas do
Divino Espírito Santo. A brincadeira se resume a resgatar a prenda presa no
alto de um mastro de oito metros de altura, untado com gordura ou graxa.
Aquele que consegue subir no mastro, além de pegar o
prêmio, toca um sino anunciando a vitória. Na tradição original, se não
houvesse ganhador, o prêmio era doado a uma paróquia ou instituição de
caridade.

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