sábado, 20 de junho de 2026

Pau de sebo mantém tradição de 30 anos durante festejos juninos em Natal

 


Dentre tantas brincadeiras inerentes aos festejos juninos, o “pau de sebo” chamava a atenção de transeuntes, trabalhadores e até mesmo das pessoas que passavam em carros, na manhã do sábado (20), na confluência da avenida Presidente Bandeira e rua dos Caicós, no Alecrim. “No início foi um resgate de uma tradição do interior, hoje é a manutenção dessa tradição. A gente resgatou há 30 e mantém todos os anos”, disse Washington Reis de Almeida, dono da loja Basar São Paulo, herdada do pai, que iniciou o negócio há 40 anos: “Antes, era uma barraquinha, na calçada”.

O incentivo da brincadeira junina é uma premiação de R$ 400. O valor fica preso ao pau de madeira de pinho, com oito metros, untado de sebo de carneiro. Ganha o dinheiro quem conseguir arrancá-lo do topo – sendo R$ 200 na ponta e duas notas de R$ 100 mais abaixo para não tornar a empreitada nem tão difícil.

Para botar a mão no dinheiro, os participantes formam uma pirâmide humana, untam o corpo e as mãos de areia para tirar o sebo do pau, a cada tentativa de subida ao mastro erguido no canteiro da antiga avenida 2.
“Todo ano brinco aqui, faz mais de dez anos”, diz Crisaldo Souza da Silva, que trabalha fazendo bicos na feira do Alecrim: “Quem tira, divide tudo, a gente compra uma pinga, faz a brincadeira”.

O estudante Antonio Pedro Pires Mota, 12 anos, acompanhado do irmão e da mãe, veio exclusivamente ver, pela primeira vez e ao vivo, como era a brincadeira do pau de sebo. “Eu descobri ontem, no YouTube, uma brincadeira no Mato Grosso, mas nunca tinha visto em Natal”, disse.
“Achei muito legal, o pessoal vive a adrenalina, subir, escorregar, pegar o dinheiro e dividir, o importante é se divertir”, comemorava Antonio.

Origem

A brincadeira do “pau de sebo” ou “mastro de cocanha” é originária de Portugal e chegou ao Brasil junto com as festas do Divino Espírito Santo. A brincadeira se resume a resgatar a prenda presa no alto de um mastro de oito metros de altura, untado com gordura ou graxa.

Aquele que consegue subir no mastro, além de pegar o prêmio, toca um sino anunciando a vitória. Na tradição original, se não houvesse ganhador, o prêmio era doado a uma paróquia ou instituição de caridade.

 

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