sexta-feira, 12 de junho de 2026

Oposição cogita travar votação devido atraso nas emendas

 


A bancada de oposição na Assembleia Legislativa ameaça reagir contra o governo do Estado, caso não se cumpra o calendário de liberação de recursos de emendas parlamentares ao orçamento estadual até o dia 3 de de julho, prazo previsto na legislação eleitoral para que o Executivo inicie o repasse de verbas aos municípios em ano de eleição.

O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) evoca o cumprimento da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a qual obriga o governo a pagar pelo menos metade dos recursos, cerca de R$ 4,5 milhões para cada um dos 24 deputados, no primeiro semestre de 2026.

“Se a governadora Fátima Bezerra (PT) criar subterfúgios e artifícios para não pagar até 3 de julho 50% das emendas parlamentares, poderá estar incorrendo em crime de responsabilidade”, disse o Coronel Azevedo, que continuou: “Esta casa vai cobrar e se isso acontecer, deixo esse registro, no meio do mundo militar, diz=se o seguinte, guerra avisada não mata soldado. Então está avisado”.

Inicialmente, a deputada estadual Cristiane Dantas (PSDB) sugeriu que se até a segunda-feira (15) o governo do Estado não acenar com o pagamento das emendas, a Casa não passe a deliberar sobre matérias de interesse do Executivo: “Nós temos uma limitação de tempo para serem pagas, mas o deputado Francisco do PT diz que as emendas estão começando a ser pagas, então vamos aguardar até segunda-feira para ver, de fato, se as emendas foram destinadas aos municípios por cada deputado”.

“Mas deixo uma sugestão, caso essas emendas não sejam pagas, podemos trancar a pauta para as votações, porque já que não podem ser pagas as emendas dos parlamentares, que são emendas impositivas, que possamos também não votar os projetos a serem enviados pelo governo e outros projetos que já estão em pauta”, avisou Cristiane Dantas.

O deputado estadual Tomba Farias (PL) disse que a Casa “tem a responsabilidade nas mãos” e que só depende dos parlamentares uma resposta ao governo na hipótese de ocorrer mais atrasos nos repasses de recursos financeiros das emendas, trancar a pauta de votação em plenário: “ Vamos jogar o que o governo quer jogar, não tem problema nenhum, se querem fazer isso no ano eleitoral, para prejudicar prefeitos e deputados”, disse.

Tomba Farias antecipou, enquanto presidia a sessão ordinária da quinta-feira (1O), que já levou essa questão ao presidente da Assembleia, deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB), bem como conversou com outros deputados, de maneira que vão avaliar o desenrolar das negociações até o dia 15, porque no dia seguinte a pauta de votação está cheia, incluindo o veto governamental ao projeto de lei que garante o repasse automático das parcelas de impostos (ICMS e IPVA) pertencentes aos municípios.

”Essa Casa é soberana, não é governista, para decidir os interesses do povo do Rio Grande do Norte, dos municípios, até hoje nós temos sido complacentes, mas terça-feira vai ser um dia muito especial, um dia muito oportuno, um dia importante para que nós mostramos a nossa cara e assumir a responsabilidade de deputado e deste plenário desta casa”, alertou Farias.

O deputado estadual Hermano Morais (MDB) afirmou que “muito mais do que os deputados, os municípios e instituições beneficiadas aguardam esses recursos, já devidamente consignados em orçamento, para fazer face à necessidade da população do Rio Grande do Norte”.

Morais disse que, particularmente, tem diversos processos para liberação de emendas prontos, “ainda de restos a pagar do ano passado, fiquei com um saldo muito alto, mas espero que esse ano, como já foi acordado nesse primeiro semestre, nós tenhamos a liberação de pelo menos a parcela de R$ 1,4 milhão”.

O deputado estadual José Dias (PL) tem se queixado, praticamente em todas as sessões as quais comparece na Casa, do descumprimento do governo em relação ao repasse do valor de 50% das emendas para a área de saúde: “O compromisso é do governo, mas não liberam, a minha prioridade são essas emendas para a saúde nos municípios”.

Defesa do governo

Líder do governo Fátima Bezerra na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Francisco do PT, informou em plenário que o Executivo iniciou o pagamento das emendas, mas sugeriu aos parlamentares quem diante de protocolos agora mais rigorosos, a “acompanharem o que tem de emendas prontas a pagar e que se autorize, e aquelas que não estão prontas e quais são as diligências a serem cumpridas por entes que têm a receber”.

Francisco do PT disse que vem, insistentemente, alertando aos colegas deputados, “senão ocorrerá de o governo pagar uma emenda que está pronta e depois o deputado dizer, mas não estava nas minhas prioridades, pagou porque quis”.

Prefeitos são convocados para pressionar

O veto integral ao Projeto de Lei nº 632/2025 que garante crédito automático das parcelas arrecadação dos impostos de competência do Estado diretamente nas contas dos municípios, à razão de 25% der ICMS e 50% de IPVA, além de repasses do Fundeb, consta da pauta de votação da sessão ordinária de terça-feira (16), na Assembleia Legislativa.

Para o deputado Tomba Farias (PL), a deliberação da matéria em plenário é uma oportunidade dos prefeitos lotarem as galerias da Casa, a fim de pressionar o governo, inclusive, a liberar emendas parlamentares que são devidas aos municípios.

O projeto de iniciativa do deputado estadual Gustavo Carvalho (PL) foi aprovado em 10 de dezembro do ano passado por todos os 22 deputados presentes à sessão, em que não comparecer apenas dois deputados - Nelter Queiroz (PP) e Luiz Eduardo (PL), que, na ocasião, cumpriam agenda externa.

Na avaliação do deputado Gustavo Carvalho (PL), o veto foi “mais uma demonstração de como o governo é contra o municipalismo e quer se apropriar indebitamente do que não é dele, retém o percentual do bolo tributário, atrasando os serviços básicos em alguns municípios do Rio Grande do Norte”.

Carvalho lembrou que a pedido do governo, chegou a abrir mão da autoria da proposta de repasses automáticos dos impostos devidos às prefeituras, depois de uma negociação feita pelo presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), José Augusto Rego com o ex-secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, que hoje é pré-candidato do PT à sucessão da governadora Fátima Bezerra.

“Nós apresentamos um projeto, e esse projeto veio com o apelo da Femurn para que o governo passasse direto, os recursos que são de direito dos municípios no bolo tributário em relação à ICMS, a Fundeb e a IPVA. O plenário foi unânime, inclusive com os votos dos deputados do PT e dos deputados da bancada do governo”, lembrou Gustavo.

O deputado afirmou ainda em seu discurso, que houve, por parte do Governo, uma articulação para que o projeto tivesse a marca do Executivo, e ele chegou a ser ouvido, na expectativa de um acordo com intermédio da Femurn. “Eu tinha até aberto mão da autoria em nome do projeto ser coletivo da nossa casa, devido à importância dele”, disse Gustavo, indignado ao tomar conhecimento do veto governamental.

“O veto vai chegar ao plenário, e eu espero que os deputados que votaram lá atrás a favor, permaneçam votando a favor”, disse Gustavo, chamando atenção dos prefeitos que apoiam o Governo, para que eles façam um apelo direto ao Executivo, para que seja cumprida “a promessa que foi feita a esta Casa”, concluiu Gustavo.

Ainda em seu pronunciamento, o deputado Gustavo Carvalho comentou sobre o ‘Hospital Metropolitano’, denunciado por ele há dois meses como uma obra apenas de propaganda do Governo do Estado. “Fizeram um batalhão de choque para me desmentir”, disse Gustavo, afirmando que o Governo montou uma equipe para apresentar uma obra funcionando. “Mas se forem lá hoje vão encontrar um terreno com areia e um quartinho como canteiro de obras”, concluiu Gustavo, convidando os deputados governistas a lhe acompanharem em mais uma visita ao terreno, e anunciando que já postou a situação atual da obra em suas redes sociais.

Pelo texto, a parte do IPVA devida a cada município deverá ser creditada diariamente na conta individual da prefeitura. Já a parcela municipal do ICMS será repassada até o segundo dia útil de cada semana, referente à arrecadação da semana anterior. Esses créditos serão feitos diretamente pelo agente centralizador de arrecadação — a instituição financeira responsável pelos recursos do Estado — sem necessidade de autorização da gestão estadual.

O projeto também determina que 20% das cotas do Estado e dos municípios sobre ICMS, IPVA, ITCD e dívida ativa tributária sejam transferidos semanalmente para o Fundeb, reforçando o financiamento da educação básica. Outra medida prevista é a obrigatoriedade de publicação mensal, pelo Executivo, da arrecadação total e dos valores entregues a cada município, aumentando a transparência dos repasses.

Segundo Carvalho, a proposta busca evitar atrasos e distorções nos valores distribuídos aos municípios, garantindo fluxo mais estável e previsível para a execução de políticas públicas essenciais.

 

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