quarta-feira, 24 de junho de 2026

O erro crasso de Mendonça é ter atuação exemplar

 


Ontem [segunda-feira], no programa Roda Viva, Gilmar Mendes usou a sua participação para erodir a relatoria de André Mendonça do caso Master.

A tática é manjada, foi usada também contra a Lava Jato para anular tudo.

Para criticar a atuação de Mendonça, o decano se valeu do fato de o ministro relator do caso Master ter contado, durante a sessão que manteve a prisão preventiva do pai de Daniel Vorcaro, que um advogado do suposto banqueiro lhe propôs uma delação seletiva.

“Chegou uma proposta por um advogado. Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Na minha cara. Eu disse: não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo, não”, disse Mendonça.

Gilmar Mendes afirmou que o colega cometeu um “erro crasso”:

“A lei não permite que o relator participe ou o juiz participe da delação. O acordo é entre Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator. Então, aqui já há um erro crasso. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado.”

Não há juiz que não se disponha a conversar com um advogado sobre assuntos relativos ao processo do qual é relator, desde que ninguém ultrapasse os limites legais.

O que um juiz não pode prever é que receberá uma proposta indecente, tal como ocorreu com Mendonça.

Na verdade, não deveria haver juiz que se metesse em processos alheios, muito menos criticando colegas em público. É atitude que fere a Lei Orgânica da Magistratura, inclusive.

Até agora, o único erro crasso de Mendonça é ter atuação exemplar no caso Master.

Mario Sabino - Metrópoles

 

 

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