O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
reativou um acordo de cooperação técnica celebrado com a Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). A entidade, historicamente ligada ao
PT, está no centro do escândalo da “Farra do INSS”, cujo esquema criminoso foi
revelado pelo Metrópoles.
A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial
da União (DOU) desta terça-feira (2/6) e é assinada pela presidente do INSS,
Ana Cristina Viana Silveira. A medida torna sem efeito a rescisão unilateral
assinada em 16 de abril, em um dos primeiros atos da atual gestão.
Quando foi demitido da presidência do INSS, em 13 de
abril, Gilberto Waller Júnior estava prestes a assinar a rescisão unilateral
com a Contag. Na ocasião, a coluna questionou a nova gestão do instituto sobre
o processo. No dia seguinte, o INSS rescindiu o acordo. Agora, cerca de um mês
e meio depois, recuou – beneficiando a entidade historicamente ligada ao PT.
O acordo de cooperação técnica permite que entidades
vinculadas à Contag possam protocolar, em favor de seus representados,
requerimentos de serviços previdenciários e seguro desemprego do pescador
artesanal. Entre os objetivos dessa permissão, está a facilitação do acesso dos
usuários aos serviços prestados pelo INSS.
A decisão, agora revertida, declarava a nulidade do
acordo entre o INSS e a Contag, implicando a extinção de todas as obrigações e
o cancelamento de mais de mil termos de adesão dele derivados.
A Contag é investigada pela Polícia Federal (PF) em
razão do escândalo de descontos indevidos, que gerou fraude estimada em mais de
R$ 6,3 bilhões. De acordo com a Polícia Federal, a entidade realizou descontos
indevidos em massa de milhares de beneficiários da Previdência Social.
Uma investigação publicada pela coluna revelou que a
Contag redigiu emendas apresentadas por deputados e senadores de esquerda para
mudar medida provisória (MP) que buscava coibir fraudes no INSS. De um total de
578 emendas, 96 têm o nome da Contag ou de advogada da confederação como autor,
segundo metadados desses documentos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário