terça-feira, 23 de junho de 2026

Hub do Leite busca soluções para fortalecer cadeia no Rio Grande do Norte

 


Criado para enfrentar os principais gargalos da cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Norte, o Hub do Leite, lançado oficialmente neste mês, deve fomentar soluções integradas para fortalecer o setor. A iniciativa, fruto de uma parceria entre o Sebrae/RN e o Laboratório de Qualidade do Leite (Laboleite), da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN), prevê, dentre outros pontos, a realização de uma jornada de aprendizado com estudantes e uma busca ativa de produtores no RN.

O analista técnico do Sebrae/RN e gestor do Ecossistema Local de Inovação do Agronegócio (ELI Agro), Luís Felipe Santos, compartilha que a estruturação do HUB começou no final do ano passado e surgiu a partir do Grupo de Trabalho (GT) do Leite, um dos GTs presentes no Eli Agro.

“Pela primeira vez, conseguimos reunir esses atores, incluindo produtores, indústrias, órgãos de controle, Sebrae e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que dialogam em prol da cadeia leiteira. Nesse ambiente de discussão, vimos que, para trazer mais visibilidade à nossa iniciativa, seria melhor que deixasse de ser um GT e se tornasse algo maior. Então surgiu a ideia do Hub”, esclarece.

Luís Felipe Santos aponta que, a partir disso, um diagnóstico foi realizado no segundo semestre do ano passado e elencou três necessidades que serão priorizadas neste ano: melhoria genética dos rebanhos, acompanhamento técnico mais efetivo dos produtores e o planejamento forrageiro. Esta última, observa, consiste em trabalhar o plantio de alimento para o rebanho.

“Muitas vezes, quando chega no período de seca, alguns produtores não têm feito esse planejamento e acabam não tendo recurso para investir numa ração, por exemplo. Então quando ele faz esse planejamento forrageiro, que pode ser uma silagem, por exemplo, consegue alimentar o animal no período de seca a um custo mais baixo”, explica o gestor do Eli Agro.

Luís Felipe Santos afirma que uma agenda de ações está sendo construída junto aos representantes da cadeia produtiva do leite, mas a atividade inicial consiste em uma jornada com os alunos da EAJ/UFRN. “A nossa intenção é integrar o ambiente acadêmico para pensar em soluções voltadas para o mercado e, assim, conseguirmos unir o ensino com o mercado, formado por produtores que têm várias necessidades”, completa.

O professor Adriano Rangel, coordenador do Laboleite/UFRN, explica que o trabalho vai integrar estudantes dos cursos de Zootecnia, Agronomia e Tecnologia da Informação. Entre as soluções que devem ser desenvolvidas, estão aplicativos baseados em informações sobre rebanhos que facilitem as tomadas de decisão pelos produtores.

Uma busca ativa junto aos produtores, incluindo aqueles que já são clientes do Sebrae/RN, está prevista para identificar as principais demandas apresentadas pela categoria. Além disso, serão ofertadas capacitações aos estudantes, a fim de auxiliar no planejamento de soluções para o mercado. A ideia é que a atividade resulte em uma premiação final.

“Nós vamos identificar os produtores que estiverem interessados em receber esse benefício, porque não deixa de ser algo positivo para eles, uma vez que os alunos pensam em soluções que são fora da caixa e do dia a dia do produtor. Algumas, inclusive, nem requerem tanto investimento. Entendemos que é um benefício para o produtor e não teremos dificuldade em ter essas adesões por parte deles”, comenta Luís Felipe Santos.

Adriano Rangel destaca que, apesar da participação ativa da universidade, o Hub consiste em um espaço de convergência para a construção de soluções articuladas pelos diferentes integrantes da cadeia do leite. “A gente vai tentar entender as dores dos produtores e buscar caminhos para minimizar ou solucioná-las”, ressalta.

O professor observa que dentre as principais demandas está a necessidade de trabalhar na melhoria da qualidade do leite do Estado. A ideia é atuar juntamente com os produtores e a indústria para buscar alternativas e ações de inovação, incluindo desenvolvimento de novos produtos.

Luís Felipe Santos esclarece que as ações do Hub do Leite vão contar com pelo menos duas reuniões mensais para o avanço da agenda. “É um trabalho voluntário. Cada ator, cada instituição participa por entender a importância disso. Mas para que as coisas aconteçam é preciso ter uma rotina para acompanhar o andamento e a execução desses trabalhos”, destaca.

 

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