O deputado federal Glauber Braga, do Psol-RJ, foi um
dos críticos mais contundentes das explicações dadas pelo senador Jaques Wagner
após a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que mirou o líder do governo no
Senado e encontrou US$ 49 mil em espécie em um endereço vinculado ao
parlamentar. Em postagem publicada na quinta-feira na rede social X, Braga
classificou como "inconcebível em qualquer hipótese" a justificativa
apresentada por Wagner, de que a maior parte do dinheiro seria fruto de diárias
pagas em dólar pelo Senado Federal. "Tratar isso como verdade é conceber a
institucionalização do absurdo", escreveu o parlamentar.
A crítica de Glauber Braga ganha peso por vir de um
deputado que integra a base de apoio ao governo Lula no Congresso. O Psol,
embora seja um partido de esquerda e tenha sustentado o governo em diversas
votações, adotou desde o início do escândalo Master uma postura de cobrança
independente, recusando-se a referendar explicações que considera insuficientes
diante da gravidade das suspeitas. A voz de Braga representa, portanto, uma
dissidência significativa dentro do campo governista.
Além das diárias em dólar, o deputado apontou como
igualmente preocupante a relação de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio do Banco
Master, que aparece nos registros da PF como intermediário de negociações
envolvendo o senador. Glauber destacou que Lima adquiriu uma rede pública de
supermercados do governo baiano e que o então Banco Máxima, que mais tarde se
tornaria o Banco Master, teria ingressado na operação pouco depois, em um
movimento que o parlamentar considera parte de um padrão de aproximação
suspeita entre o mundo financeiro e o poder político baiano.
Para Glauber Braga, o episódio tem uma consequência
política que vai além do caso individual de Jaques Wagner. Em sua avaliação, o
escândalo pode ser explorado pela extrema-direita como instrumento de ataque ao
campo progressista, o que torna ainda mais necessário que a esquerda trate o
caso com seriedade e sem qualquer tentativa de blindagem baseada em afinidade
partidária. A omissão diante de irregularidades evidentes, segundo o deputado,
é tão danosa quanto o ato ilícito em si.
O caso Wagner se tornou um divisor de águas dentro
da esquerda brasileira. De um lado, figuras como Gleisi Hoffmann expressam
solidariedade ao senador e aguardam o resultado das investigações antes de
emitir qualquer julgamento mais severo. Do outro, parlamentares como Glauber
Braga argumentam que a credibilidade da esquerda depende de uma postura de
tolerância zero com irregularidades, independentemente de quem seja o
investigado. Essa tensão interna tende a se aprofundar à medida que as
investigações da PF avançarem e novas evidências forem tornadas públicas.

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