A deputada federal Gleisi Hoffmann, ex-ministra das
Relações Institucionais e uma das figuras mais influentes do PT, declarou na
última quinta-feira acreditar na inocência do senador Jaques Wagner diante das
investigações da Operação Compliance Zero, mas abriu um caminho político
importante ao afirmar que ele deverá responder legalmente caso seu envolvimento
com irregularidades no Banco Master seja comprovado. A declaração foi dada em
entrevista à rádio BandNews e representa um equilíbrio cuidadoso entre
solidariedade partidária e reconhecimento da gravidade das suspeitas.
Gleisi afirmou ter ouvido as explicações de Wagner
sobre o CredCesta, operação de cartão consignado voltada a servidores públicos
que está no centro das investigações e que originou a atuação do Banco Master
na modalidade de crédito. O senador sustenta que vendeu a operação antes de o
Master se tornar sócio dela, argumento com o qual a deputada diz concordar.
"Ouvi ele falando sobre isso. Acredito no Jaques, que ele não tem nada a
ver. Agora, se tiver comprovação de envolvimento, de benefício pessoal, ele precisa
responder. Ninguém está isento disso", disse a congressista.
A parlamentar também defendeu que a investigação
sobre o Banco Master deve prosseguir com rigor e independência, sem que o
envolvimento de figuras ligadas ao PT seja tratado de forma diferente do que
seriam investigações envolvendo nomes da oposição. Gleisi reforçou a posição do
partido de que a Justiça deve agir com igualdade e que nenhum aliado político
está acima da lei, um discurso que o PT tem repetido desde que o escândalo
começou a atingir diretamente nomes do campo governista.
A operação da PF que teve Wagner como alvo encontrou
US$ 49 mil em espécie em um endereço ligado ao senador, além de registros de
tratativas com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, relacionadas à compra de
um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e a pagamentos de R$ 3,5 milhões para
uma empresa de familiar do senador. A magnitude dos valores e a natureza das
ligações encontradas tornaram as explicações de Wagner um ponto central do
debate político, tanto dentro quanto fora do PT.
A declaração de Gleisi, ao mesmo tempo em que
expressa solidariedade ao colega de partido, funciona também como um sinal
político de que o PT não pretende se comprometer integralmente com a defesa de
Wagner caso as investigações avancem e novas evidências comprometedoras sejam
encontradas. Em um ano eleitoral, a distinção entre defender um aliado e
proteger um investigado é cada vez mais relevante para a imagem pública do
partido e para as perspectivas eleitorais de Lula em 2026.

Nenhum comentário:
Postar um comentário