Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
montaram uma estrutura de mobilização digital batizada de “Porta-Voz do Lula”
para engajar apoiadores nas redes sociais, mas a iniciativa não tem produzido o
efeito esperado pelas lideranças de esquerda. Esta coluna acompanhou o
funcionamento da plataforma nos últimos dias e teve acesso às dinâmicas
internas da comunidade.
O mecanismo é simples: o apoiador é direcionado a um
grupo de WhatsApp e passa a receber, diariamente, tarefas de engajamento,
chamadas de “missões”. O material inclui correntes de compartilhamento, áudios
de ministros e de líderes aliados no Congresso Nacional.
Entre as ações registradas por esta coluna, os
membros receberam o jingle “Lula Joga pelo Brasil” com orientação para curtir,
comentar o clipe e repostar nos stories do Instagram. Em data de jogo da
seleção brasileira, a comunidade recebeu uma foto do presidente com a camisa da
CBF, apelidada de “Lula da Sorte”, com instrução para encaminhar a mensagem a
pelo menos cinco contatos.
Nesta terça-feira (23), a missão da semana mira a
PEC que propõe o fim da escala 6×1. A mensagem enviada ao grupo diz:
“Porta-voz, se você assim como o presidente Lula também acredita que o fim da
escala 6×1 é urgente, participe dessa grande mobilização.” O texto vinha
acompanhado de áudio da deputada federal Erika Hilton e de outros
parlamentares, com instruções sobre como os apoiadores devem se posicionar nas
redes.
Militantes ouvidos pela coluna, em caráter
reservado, descrevem o engajamento como abaixo do esperado e apontam um tom
excessivamente artificial nas mensagens. A esquerda tem buscado modernizar sua
atuação digital e construir uma base mobilizada para as eleições de 2026, mas
ainda enfrenta dificuldade para superar a oposição na disputa pelas
plataformas. Lula tem ampliado progressivamente sua aposta na comunicação
digital e mirado o eleitorado jovem como peça central da estratégia para a
corrida presidencial.
Com informações da Jovem Pan

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