quarta-feira, 24 de junho de 2026

Calor acima da média pressiona agricultura do RN no segundo semestre

 


A agricultura potiguar pode enfrentar aumento da demanda por água e maior risco de estresse hídrico no segundo semestre em razão da previsão de um inverno mais quente no Rio Grande do Norte. Conforme o setor produtivo, o cenário pode elevar a demanda por água e aponta maior vulnerabilidade das culturas de sequeiro.
Conforme a Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), o inverno de 2026, influenciado pelo El Niño, pode registrar temperaturas acima da média histórica e ventos reduzidos.

Neste momento, a Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) avalia que ainda é cedo para projetar crescimento ou redução generalizada da produção agrícola no segundo semestre. “O cenário recomenda cautela, uma vez que o desempenho da safra dependerá da evolução das condições climáticas ao longo dos próximos meses”, pondera a instituição.

Nas áreas irrigadas, a tendência é de estabilidade produtiva, desde que haja disponibilidade hídrica suficiente para atender à demanda das culturas, segundo a instituição.

De acordo com a Faern, as culturas de sequeiro — plantações sem irrigação artificial — tendem a ser as mais afetadas. “As culturas de sequeiro, especialmente milho e feijão, tendem a ser as mais sensíveis às alterações climáticas previstas, pois dependem diretamente da umidade do solo e da regularidade das chuvas”, explica.

O principal desafio para a agropecuária potiguar não é um evento climático isolado, mas a crescente variabilidade climática, conforme a federação.

“O produtor rural do RN convive historicamente com condições adversas e tem demonstrado grande capacidade de adaptação. No entanto, manter a competitividade da produção exigirá cada vez mais gestão eficiente da água, assistência técnica, crédito adequado, inovação e tecnologias adaptadas ao semiárido”, avalia.

A redução da circulação dos ventos também pode alterar as condições microclimáticas das lavouras, influenciando temperatura, umidade e desenvolvimento vegetal.

Em alguns casos, isso pode favorecer o surgimento de doenças ou exigir ajustes no manejo das lavouras. Na pecuária, os principais impactos ocorrem sobre a disponibilidade de pastagens e de forragem, além do aumento da necessidade de água para os animais. “Temperaturas mais elevadas também podem afetar o conforto térmico dos rebanhos e pressionar os custos de produção”, disse a federação.

Para minimizar prejuízos, a Faern reforça a importância de estratégias já consolidadas de convivência com o semiárido, como o uso de variedades adaptadas às condições locais, o escalonamento do plantio, o planejamento forrageiro, a formação de reservas alimentares, a implantação de bancos de proteína e a adoção de sistemas de irrigação mais eficientes.

A instituição também reforça a importância de armazenar água. “O armazenamento de água em pequenas estruturas e o acesso contínuo à assistência técnica também são fundamentais para reduzir riscos e aumentar a capacidade de adaptação das propriedades”, explica.

Segundo a Faern, investimentos em segurança hídrica, assistência técnica, pesquisa e tecnologias voltadas à realidade do semiárido podem contribuir para reduzir os impactos das variações climáticas sobre a produção agropecuária.

O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do RN (Fetarn), Erivam do Carmo, avalia que o aumento das temperaturas pode trazer impactos para a agricultura familiar. “O aumento da temperatura, principalmente a água, ela evapora mais rápido, principalmente na questão hídrica, fica prejudicado porque parte da água se evapora”, disse.

O dirigente afirma que, caso as previsões se confirmem, a tendência é de redução da produção agrícola. “O aumento da temperatura traz diversas situações adversas no sentido da agricultura familiar”, disse.

A Fetarn avalia que os possíveis impactos de um inverno mais quente tendem a ser mais sentidos pelos pequenos produtores rurais, que possuem menor capacidade de investimento em sistemas de irrigação e outras medidas de adaptação.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, Guilherme Saldanha, avalia que o El Niño não deve causar prejuízos à agropecuária potiguar em 2026. Segundo ele, a quadra chuvosa registrada no primeiro semestre ficou dentro da normalidade e garantiu condições adequadas para o desenvolvimento de culturas como milho e feijão, além da formação de pastagens.

Saldanha afirma que o Governo do Estado trabalha para garantir a segurança hídrica nos próximos meses, por meio de negociações com a Agência Nacional de Águas (ANA) e da continuidade de ações de abastecimento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Crise do BRB: CNJ dá 10 dias para Tribunais informarem sobre R$ 30 bilhões depositados no banco

  O corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mauro Campbell Marques, deu mais 10 dias de prazo para que cinco tribunais de Justiça ...