O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI)
no Rio Grande do Norte registrou uma queda de 2,6 pontos em junho, em
comparação ao mês anterior, passando de 55,6 para 53,0 pontos. No comparativo
ao mesmo período de 2025, quando o indicador atingiu 53,8, a queda foi de 0,8
ponto. Mesmo com o recuo, o índice acima de 50 pontos significa que os
empresários potiguares seguem confiantes.
Os dados foram calculados com base em sondagem realizada entre os dias 1º e 12
de junho e publicada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte
(Fiern). No levantamento, a entidade aponta que o ICEI revela que a retração no
índice reflete tanto as condições correntes de negócios, mais desfavoráveis,
quanto expectativas menos otimistas para os próximos seis meses.
O economista Helder Cavalcanti explica que a redução da confiança dos
empresários demonstra que o setor ainda enxerga um cenário de juros elevados,
crédito caro, alto custo financeiro e um consumo comprometido pela dívida. Ele
destaca, no entanto, que a baixa no otimismo não representa necessariamente uma
mudança para um cenário pessimista.
“Quando o empresário reduz suas expectativas, ele normalmente passa a analisar
com mais cautela novos investimentos, ampliações da capacidade produtiva e
contratações. Isso não significa necessariamente retração da atividade
econômica, mas um ritmo menor de expansão. Projetos podem ser adiados até que
exista maior previsibilidade sobre juros, demanda e ambiente econômico”, Helder
Cavalcanti.
Para o economista Robespierre do Ó, além das incertezas com a economia nacional,
o recuo no ICEI do Estado pode ser explicado pelo aumento das tensões
comerciais externas. É o caso, especialmente, da insegurança com a
possibilidade de novas tarifas pelos Estados Unidos.
“Outro aspecto importante é que a queda foi mais intensa nas expectativas do
que nas condições atuais, indicando que os empresários não estão apenas
avaliando um cenário presente mais difícil, mas também revisando suas
perspectivas para os próximos meses. Como a confiança empresarial é um
indicador antecedente da atividade econômica, esse movimento tende a refletir
maior cautela nas decisões de investimento, contratação de mão de obra e
expansão da produção”, destaca o economista.
Na divisão por portes de empresas, o ICEI de junho apontou impactos diferentes
na confiança dos empresários. Enquanto o indicador das pequenas empresas
declinou 9,9 pontos, passando de 53,2 para 43,3 pontos, entre as médias e
grandes o índice permaneceu inalterado em 56,3 pontos, apontando que os
empresários seguem confiantes.
Na avaliação de Robespierre do Ó, o cenário indica que o ambiente econômico tem
afetado de forma mais intensa os pequenos negócios. “Como essas empresas
possuem menor capacidade de financiar investimentos com recursos próprios e
dependem mais do crédito bancário, tendem a reagir de forma mais intensa ao
aumento do custo financeiro e às incertezas econômicas”, destaca.
O economista avalia que o cenário nos pequenos negócios pode refletir em uma
menor geração de empregos, redução dos investimentos e expansão mais lenta da
produção industrial nos próximos meses. “Como essas empresas possuem menor
capacidade de financiar investimentos com recursos próprios e dependem mais do
crédito bancário, tendem a reagir de forma mais intensa ao aumento do custo
financeiro e às incertezas econômicas”, destaca.
O levantamento da Fiern aponta que índice de Expectativas de junho registrou
queda de 3,0 pontos, saindo de 58,7 para 55,7 pontos, mas segue acima da linha
divisória de 50 pontos, mostrando perspectivas mais moderadas para os próximos
seis meses. Na comparação com junho de 2025, o índice de Condições Atuais caiu
0,7 ponto, enquanto o de Expectativas decresceu 0,9 ponto.
Apesar da queda no otimismo dos empresários, Helder Cavalcanti destaca que a
recuperação é possível nos próximos seis meses, o que depende, no entanto, da
redução gradual dos juros, melhoria do acesso ao crédito, controle da inflação
e fortalecimento da demanda das famílias.
“No caso do Rio Grande do Norte, também será importante acompanhar o desempenho
de setores estratégicos, como construção civil, comércio, serviços, energia e
turismo, que possuem forte capacidade de gerar demanda para a indústria local”,
aponta o economista.
Segundo Helder Cavalcanti, o esperado é que a retomada da confiança ocorra de
forma gradual, com o pequeno empresário voltando a investir com maior
intensidade quando observar melhora na economia. “A confiança não é construída
apenas pelos indicadores econômicos, mas também pela expectativa de
estabilidade e previsibilidade para o ambiente de negócios”, ressalta.

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