Publicações do pré-candidato ao governo de
Pernambuco, João Campos (PSB), e da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP)
sobre as ações de enfrentamento às chuvas que atingem o Recife, a Região
Metropolitana e a Zona da Mata receberam notas da comunidade no X (antigo
Twitter) com um dado que o ex-prefeito preferia manter longe dos holofotes. O
alerta adicionado por usuários da plataforma destaca que "João Campos
enquanto prefeito do Recife gastou mais com publicidade e eventos do que com
combate a enchentes na cidade" e acrescenta que ele "atualmente
encontra-se fora do exercício público".
A informação que embasa a nota da comunidade tem
origem em dados do Portal da Transparência do Recife, já amplamente divulgados
desde fevereiro de 2025. Levantamentos feitos por vereadores de oposição e
confirmados por veículos de imprensa apontam que, entre 2021 e 2024, a
Prefeitura do Recife destinou R$ 609 milhões a festividades, shows e
publicidade institucional — incluindo R$ 110 milhões apenas no Carnaval de 2024
— enquanto investiu R$ 234 milhões na manutenção e retificação do sistema de
micro e macrodrenagem da cidade, principal ação de combate a enchentes e
alagamentos. A diferença representa 159% a mais em propaganda do que em infraestrutura
de drenagem.
O constrangimento ganha contornos eleitorais. Campos
deixou a Prefeitura do Recife para disputar o governo estadual em 2026 e, sem
mandato, tem se articulado politicamente em meio à crise das chuvas — reunindo
prefeitos, acionando o governo federal e participando de reunião no Palácio do
Planalto que resultou em uma Medida Provisória de R$ 305 milhões assinada pelo
presidente Lula. A movimentação, porém, esbarra na cobrança de que os
alagamentos crônicos do Recife persistiram ao longo de seus seis anos à frente
da prefeitura, com prioridade orçamentária dada a eventos e comunicação em
detrimento de obras estruturantes.
As notas da comunidade são um recurso do X que
permite aos próprios usuários da plataforma acrescentar contexto a publicações
que possam ser consideradas incompletas ou enganosas. No caso de João Campos, o
mecanismo transformou postagens pensadas para projetar protagonismo na crise em
um lembrete público do desequilíbrio de investimentos de sua gestão — com link
direto para a reportagem do GP1 que detalha os números. O episódio evidencia
como a transparência digital pode funcionar como contraponto a estratégias de
comunicação política, especialmente em ano pré-eleitoral.

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