domingo, 10 de maio de 2026

Pesquisas para quê?

 


A divulgação de levantamentos eleitorais para o Governo do Rio Grande do Norte começou a revelar um fenômeno cada vez mais evidente no debate político brasileiro. Em menos de 24 horas, dois institutos apresentaram cenários completamente diferentes sobre a disputa de 2026, levantando dúvidas sobre o uso das pesquisas como instrumento de aferição do eleitorado ou como peça de marketing político.

Na sexta-feira (8), uma pesquisa do Instituto Seta colocou o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, na liderança isolada da corrida estadual com 38,4% das intenções de voto. O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, aparecia em segundo com 20,7%. O secretário estadual Cadu Xavier surgia em terceiro, com 13,3%.

No dia seguinte, um levantamento, desta vez do Instituto Veritá, apresentou praticamente um cenário invertido. Álvaro Dias passou a liderar com 36,9% dos votos válidos, seguido por Allyson Bezerra com 32,4% e Cadu Xavier com 28,3%.

As diferenças chamam atenção não apenas pela mudança de liderança, mas pela oscilação brusca nos números de cada candidato em um intervalo de poucos dias.

Entre uma pesquisa e outra, Álvaro Dias salta de 20,7% para 36,9%, uma variação de 16,2 pontos percentuais. Allyson Bezerra cai de 38,4% para 32,4%. Já Cadu Xavier mais que dobra seu desempenho, passando de 13,3% para 28,3%.

Mesmo considerando diferenças metodológicas, margem de erro e critérios de cálculo, os números parecem servir muito mais para narrativa política do que efetivamente para medir intenção de voto. Muitas vezes, a divulgação do levantamento produz mais impacto político do que o próprio resultado em si.

Na prática, institutos passaram a ocupar espaço estratégico nas campanhas, especialmente em períodos de pré-campanha, quando ainda há baixa cristalização do voto e elevado índice de eleitores indecisos. Nesse ambiente, números podem ajudar a construir percepções de viabilidade, atrair apoios partidários e alimentar mobilizações digitais.

Outro fator que contribui para a desconfiança é a velocidade com que pesquisas são divulgadas em sequência. Um instituto publica um cenário em um dia. No dia seguinte, outro apresenta quadro completamente diferente. Em vez de esclarecer o eleitor, o excesso de levantamentos conflitantes acaba produzindo ruído.

Os próprios dados divulgados mostram isso. Enquanto o Instituto Seta ouviu 1.500 eleitores entre os dias 3 e 5 de maio, o Veritá entrevistou 1.220 pessoas entre os dias 4 e 8. Os períodos praticamente se sobrepõem, mas os resultados apontam direções distintas.

Acreditar em qual? Cada um acredita na que lhe é mais favorável. 

As pesquisas estão servindo medir a realidade eleitoral ou para tentar moldá-la?

Na hora H

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