A divulgação de levantamentos eleitorais para o
Governo do Rio Grande do Norte começou a revelar um fenômeno cada vez mais
evidente no debate político brasileiro. Em menos de 24 horas, dois institutos
apresentaram cenários completamente diferentes sobre a disputa de 2026,
levantando dúvidas sobre o uso das pesquisas como instrumento de aferição do
eleitorado ou como peça de marketing político.
Na sexta-feira (8), uma pesquisa do Instituto Seta
colocou o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, na liderança isolada da corrida
estadual com 38,4% das intenções de voto. O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias,
aparecia em segundo com 20,7%. O secretário estadual Cadu Xavier surgia em
terceiro, com 13,3%.
No dia seguinte, um levantamento, desta vez do
Instituto Veritá, apresentou praticamente um cenário invertido. Álvaro Dias
passou a liderar com 36,9% dos votos válidos, seguido por Allyson Bezerra com
32,4% e Cadu Xavier com 28,3%.
As diferenças chamam atenção não apenas pela mudança
de liderança, mas pela oscilação brusca nos números de cada candidato em um intervalo
de poucos dias.
Entre uma pesquisa e outra, Álvaro Dias salta de
20,7% para 36,9%, uma variação de 16,2 pontos percentuais. Allyson Bezerra cai
de 38,4% para 32,4%. Já Cadu Xavier mais que dobra seu desempenho, passando de
13,3% para 28,3%.
Mesmo considerando diferenças metodológicas, margem
de erro e critérios de cálculo, os números parecem servir muito mais para
narrativa política do que efetivamente para medir intenção de voto. Muitas
vezes, a divulgação do levantamento produz mais impacto político do que o
próprio resultado em si.
Na prática, institutos passaram a ocupar espaço
estratégico nas campanhas, especialmente em períodos de pré-campanha, quando
ainda há baixa cristalização do voto e elevado índice de eleitores indecisos.
Nesse ambiente, números podem ajudar a construir percepções de viabilidade,
atrair apoios partidários e alimentar mobilizações digitais.
Outro fator que contribui para a desconfiança é a
velocidade com que pesquisas são divulgadas em sequência. Um instituto publica
um cenário em um dia. No dia seguinte, outro apresenta quadro completamente
diferente. Em vez de esclarecer o eleitor, o excesso de levantamentos
conflitantes acaba produzindo ruído.
Os próprios dados divulgados mostram isso. Enquanto
o Instituto Seta ouviu 1.500 eleitores entre os dias 3 e 5 de maio, o Veritá
entrevistou 1.220 pessoas entre os dias 4 e 8. Os períodos praticamente se
sobrepõem, mas os resultados apontam direções distintas.
Acreditar em qual? Cada um acredita na que lhe é
mais favorável.
As pesquisas estão servindo medir a realidade
eleitoral ou para tentar moldá-la?
Na hora H

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