O Brasil tem 82,8 milhões de endividados. O número
das pessoas que não conseguem pagar as dívidas em dia no país foi divulgado
pela Serasa nesta terça-feira (5), um dia após o governo federal lançar
programa para reduzir esse contingente: o Desenrola 2.0. Com
informações do Metrópoles.
Novo Desenrola
- O programa Novo Desenrola Brasil, que visa a
reduzir o endividamento recorde da população, começa a valer nesta terça-feira
(5/5). A iniciativa, lançada nessa segunda-feira (4/5), vai conceder descontos
em dívidas e provocar o refinanciamento com juros mais baixos, limitados a
1,99% ao mês
- O Novo Desenrola traz quatro categorias de
Desenrola específicas: Desenrola Famílias (carro-chefe), Desenrola Fies,
Desenrola Empreendredor e Desenrola Rural (pequenos agricultores)
- Os descontos para as operações de renegociação de
dívida variam de 30% a 90%, com taxa média estimada em 65%, segundo o governo
federal.
- O governo também irá limpar o nome de quem tem
dívida de até R$ 100.
Podem participar as pessoas com renda de até cinco
salários mínimos, ou seja, R$ 8.105.
No caso da pesquisa do Serasa, além do aumento do
contingente de pessoas endividadas, houve crescimento no valor da dívida média
total por pessoa. Em relação a fevereiro, a alta foi de 1,98%, o que fez o
valor chegar a R$ 6.728,51.
Cada pessoa tem, em média, conforme a Serasa, quatro
dívidas. Cada uma delas tem valor médio de R$ 1.647,64.
Ao todo, existem 338,2 mil dívidas – que somam R$
557 bilhões em valores. Esse número cresceu 3,35% em relação ao levantamento de
fevereiro deste ano.
A pesquisa da Serasa ouviu ao todo 1.904 pessoas que
têm dívidas não pagas em todo o país, em abril deste ano. A sondagem mostrou
que 38% dos entrevistados apontam o desemprego ou a perda de renda como o
principal fator para a inadimplência.
Os fatores gastos de emergência (16%),
descontrole/desorganização financeira (13%), apoio financeiro a familiares ou
amigos (10%) e atraso no pagamento de contas básicas (7%) representam parcela
maior, ou seja, 46%.
Diretora da Serasa, Aline Maciel chama a atenção
para o fato de o endividamento elevado e a inadimplência recorde ocorrerem
mesmo diante de um momento bom para a geração de emprego.
“Mesmo com os índices de desemprego bons, a gente
tem ele como um opressor [da inadimplência], vemos que ainda tem espaço para
piorar essa percepção. É algo para a gente ficar em alerta”, pontua Maciel.
A taxa de desocupação ficou em 6,1% nos três
primeiros meses do ano, conforme dados divulgados na Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, na última quinta-feira (30/4), pelo
Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).
Conforme o levantamento, 47% das dívidas dos
brasileiros estão concentradas no setor financeiro:
- 27,3% bancos/cartão de crédito;
- 21% utilidades (contas básicas, como água, luz e
gás);
- 20,2% financeiras;
- 11,5 serviços.
Desenrola: como limpar o nome
O governo federal lançou, na segunda-feira (4/5), o
programa Novo Desenrola Brasil, que visa reduzir o endividamento recorde da
população. Segundo a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), o débito renegociado terá descontos de 30% a 90% para
pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
A iniciativa, que terá duração de 90 dias, vai
conceder descontos de até 90% em dívidas e provocar o refinanciamento com juros
mais baixos, limitados a 1,99% ao mês.
O programa atua em linhas diferentes:
- Desenrola Famílias: renegociação de dívidas
atrasadas, uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), consignado
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e consignado público;
- Desenrola Fies;
- Desenrola Empresas: Programa Nacional de Apoio às
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e Programa Acredita
(ProCred); e
- Desenrola Rural.
No caso do desenrola famílias, são elegíveis as
dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90
dias e 2 anos, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito
pessoal (CDC). Podem participar as pessoas com renda de até cinco salários
mínimos (R$ 8.105).
A dívida renegociada terá:
- descontos entre 30 a 90%.
- taxa de juro máxima de 1,99% ao mês.
- até 48 meses de prazo;
- prazo de até 35 dias para pagamento da primeira
parcela;
- limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15
mil por pessoa, por instituição financeira; e
- garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).
O Desenrola 2.0 estabeleceu que dívidas de até R$
100 serão perdoadas pelos bancos e 1% do que for renegociado deverá ser
destinado à educação financeira.
As normas valem para dívidas contratadas até 31 de
janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de
crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Segundo o governo, os usuários do novo Desenrola
também ficarão bloqueados em plataformas de apostas on-line, as chamadas de
bets, por um ano.
“A pessoa vai estar automaticamente fora dos jogos
on-line (bets) por um ano. A gente precisa melhorar a qualidade do crédito que
essa pessoa toma. A pessoa que está endividada e precisa de ajuda do governo
não pode jogar nas apostas on-line”, disse o ministro da Fazenda, Dario
Durigan.
Quem pode participar?
- Público-alvo: brasileiros com renda até 5 salários
mínimos (R$ 8.105).
- Dívidas elegíveis: o programa permite renegociar
dívidas (cartão de crédito, cheque especial e empréstimos) que estejam
atrasadas entre 90 dias e 2 anos, feitas até janeiro de 2026.
- Forma de acesso: canais oficiais dos bancos.
O que quer o endividado
Do total, 71% dos entrevistados na pesquisa Serasa
afirmaram que já tentaram negociar as dívidas bancárias. Na pesquisa divulgada
nesta terça, 45% dos entrevistados responderam, em múltipla escolha, que se
sentiriam mais confiante se houvesse:
- acordo com desconto (69%);
- redução nos juros (64%);
- parcelamento acessível (58%); e
- aumento da renda (36%).
A diretora vê com bons olhos o novo programa do
governo federal para redução no endividamento e na inadimplência. No entanto,
ressalva que outras medidas são necessárias, bem como a educação financeira e a
redução nas taxas de juros no país.
“O programa sozinho não vai fazer milagre. A gente
viu o programa passado, ele acaba suavizando a inadimplência, mas sabemos que,
se outras ações não forem tomadas, a gente não vai ter a inversão na curva da
dívida, porque a gente tem um estoque altíssimo de dívidas”, afirma Maciel.
No aplicativo
A Serasa afirma que parte das instituições do
Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem convênio com a instituição. Este grupo
mantém ofertas de renegociação, inclusive nos termos do Novo Desenrola Brasil,
que podem ser acessadas diretamente no aplicativo da Serasa.
Conforme a instituição, a plataforma privada
concentra 7,7 milhões de ofertas no âmbito do Novo Desenrola Brasil e 691
milhões ao todo, contemplando 2 mil empresas parceiras.

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