A presença do crime organizado já faz parte da
realidade de milhões de brasileiros. Pesquisa divulgada pelo Fórum
Brasileiro de Segurança Pública mostra que 41,2% da população com mais de
16 anos afirma viver em bairros com atuação de facções criminosas ou milícias.
O número representa cerca de 68,7 milhões de pessoas.
A percepção é maior nas capitais, onde 55,9% relatam
presença desses grupos. Nas regiões metropolitanas, o índice é de 46%, enquanto
no interior chega a 34,1%.
Segundo o levantamento, 61,4% das pessoas que
convivem com o crime organizado afirmam que essas organizações influenciam
regras e decisões da vida local. O estudo aponta que facções como o Primeiro
Comando da Capital e o Comando Vermelho ampliaram atuação para
cidades do interior e áreas estratégicas do país.
O impacto aparece na rotina da população: 81% têm
medo de ficar no meio de tiroteios, 74,9% evitam determinados locais e 64,4%
temem represálias ao denunciar crimes. Além disso, 59,5% evitam falar sobre
política no bairro.
A pesquisa também mostra aumento da violência em
áreas dominadas pelo crime. Nesses locais, o índice de vitimização sobe de
40,1% para 51,1%. Casos de roubo, golpes digitais e assassinatos de familiares
ou conhecidos também são mais frequentes.
A pesquisa “Medo do crime e eleições
2026: os gatilhos da insegurança” foi realizada pelo Instituto Datafolha,
encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os dias 9 e 10 de
março de 2026. A margem de erro geral para o total da amostra é de 2 pontos
percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
O estudo teve abrangência nacional e contou com uma amostra total de 2.004
entrevistas realizadas em 137 municípios.

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