A 161 dias da eleição presidencial, com Lula
empatado no segundo turno contra qualquer adversário da direita, com 48% de
rejeição e 52% de desaprovação na Quaest, o PT decidiu que o melhor uso de seu
congresso nacional era exibir um banner pedindo a volta de Nicolás Maduro à
Venezuela. Não foi um militante isolado que levou um cartaz escondido na
mochila. Foi a Secretaria de Relações Internacionais do partido, chefiada por
um senador da República, que organizou o ato, montou o palco, convidou
embaixadores e exibiu a peça com a frase "Los Queremos de Vuelta"
para 600 delegados e para as câmeras de todo o país.
Maduro não é um líder democrático injustiçado. É um
ditador que fraudou eleições em 2024, que perseguiu e prendeu opositores, que
levou a Venezuela ao colapso humanitário e que hoje está preso nos Estados
Unidos respondendo por tráfico de drogas. Defender sua volta não é ato de
solidariedade internacional. É declaração de afinidade ideológica com um regime
autoritário. E o PT sabe disso. Sabe que essa imagem será usada em centenas de
milhares de peças de campanha pela oposição. Sabe que Flávio Bolsonaro, Zema e
Caiado vão repetir "o PT quer Maduro de volta" em cada debate, cada
entrevista, cada inserção de TV. E mesmo assim, escolheu fazer.
O mais espantoso é o timing. O congresso deveria ser
o momento de apresentar um plano de governo crível para o quarto mandato de
Lula, de calibrar o discurso para o eleitor do centro, de mostrar que o partido
amadureceu. Em vez disso, o PT entregou aos adversários, de bandeja, o tipo de
material que nenhum marqueteiro do PL conseguiria produzir sozinho. Um banner
oficial, em evento oficial, com organização oficial, defendendo um ditador
preso por narcotráfico. É o presente de campanha perfeito para a direita.
Lula, em seu vídeo ao congresso, pediu que a
militância fizesse "propostas factíveis". O banner de Maduro não é
factível. É um passivo. É o tipo de gesto que não ganha um único voto e perde
milhares. É a prova de que, dentro do PT, existe um setor que prefere a pureza
ideológica à vitória eleitoral. E se Lula perder em outubro, pode ter certeza:
o banner "Los Queremos de Vuelta" estará entre as explicações.

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