Enquanto os demais oito estados do Nordeste
registraram alta no preço da gasolina comum entre março e abril de 2026 — com
aumentos de até 6,4% —, o Rio Grande do Norte seguiu na contramão: foi o único
da região a apresentar queda, de R$ 6,98 para R$ 6,74 por litro, recuo de 3,4%,
segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP) relativo à semana de 12 a 18 de abril.
O movimento coloca o estado abaixo da média nacional
(R$ 6,75/litro) e na contramão de um ciclo de reajustes promovido pelas
refinarias privadas que abastecem o Nordeste — sobretudo a Acelen, em Mataripe
(BA), e a 3R/Brava, em Guamaré (RN) —, motivado pela escalada do barril Brent,
que passou de cerca de US$ 72–75 em fevereiro para acima de US$ 100 em abril.
No diesel S10, o repasse foi mais direto: os postos
do RN repassaram integralmente os reajustes de refinaria, com alta de R$
0,53/litro (+7,8%), mas ainda assim o estado ocupa a 17ª posição no ranking
nacional de preços — abaixo da média do país (R$ 7,49/litro) e mais barato que
todos os vizinhos nordestinos, à exceção de Ceará e Pernambuco.
Tudo isso ocorre num cenário em que o mercado
internacional de petróleo ainda atravessa um período de tensão geopolítica
aguda. O barril Brent opera acima de US$ 103, sustentado pelo risco de
interrupção no Estreito de Ormuz — passagem por onde flui cerca de 20% do
petróleo mundial. Negociações entre Estados Unidos e Irã permanecem travadas, e
os chamados traders têm precificado não apenas um evento pontual, mas um
"risco persistente" de restrição de oferta.
No Brasil, esse ambiente internacional cria uma
pressão assimétrica: a Petrobras mantém preços de refinaria deliberadamente
abaixo do mercado internacional (defasagem negativa de R$ 1,47/litro na
gasolina e R$ 1,73/litro no diesel S10, segundo o boletim da Nortear Energy de
23/4/2026), enquanto as refinarias privadas — Acelen (Mataripe/BA) e 3R
Petroleum (Brava, com a Refinaria Clara Camarão, em Guamaré/RN) — praticam
preços muito próximos à paridade de importação.
Para o consumidor potiguar, essa arquitetura de
mercado tem um significado direto: os postos do Rio Grande do Norte são
majoritariamente abastecidos pelas refinarias privadas — sobretudo pela
Brava/Guamaré, localizada no próprio estado — e, portanto, os preços praticados
nas bombas tendem a refletir com mais fidelidade os movimentos do mercado
internacional.
Entre o final de fevereiro e meados de abril de
2026, as refinarias privadas que abastecem o Nordeste promoveram uma série de
reajustes, com destaque para a Acelen (Mataripe) e a 3R Petroleum (Guamaré). Os
movimentos foram motivados pela alta do Brent, que passou de uma faixa de US$
72–75 em fevereiro para o patamar acima de US$ 100 em abril.
REAJUSTES DAS REFINARIAS PRIVADAS NO NORDESTE
(FEV–ABR/2026)
▸
Acelen (Mataripe/BA) — Diesel S10: alta acumulada estimada de R$ 0,28 a R$
0,35/litro
▸
Acelen (Mataripe/BA) — Gasolina A: alta acumulada estimada de R$ 0,18 a R$
0,25/litro
▸
3R/Brava (Guamaré/RN) — Diesel: ajuste próximo ao de Mataripe; gasolina
ligeiramente mais estável
▸
Petrobras — Diesel S10: sem reajuste; defasagem de -R$ 1,73/litro (23/4/2026)
▸
Petrobras — Gasolina A: sem reajuste; defasagem de -R$ 1,47/litro (23/4/2026)
Fontes: Nortear Energy (boletim 23/4); reportagens
Sindipostos-RN/DICOM sobre Acelen e Clara Camarão
A questão central é: o quanto desses reajustes de
refinaria foi repassado ao consumidor final? Os dados da ANP, comparando as
semanas de 8–14/3 e 12–18/4, permitem uma aproximação razoável dessa resposta.
Como a Brava/Guamaré (refinaria potiguar) manteve a
gasolina relativamente estável ao longo do período — enquanto Acelen promovia
ajustes mais agressivos —, os postos do RN, que dependem menos de Mataripe
(onde fica a refinaria da Acelen) para a gasolina, sentiram menos pressão de
alta. Além disso, movimentos de competição local e o papel dos distribuidores podem
ter contribuído para acomodar ou até reduzir margens no varejo.
Importante notar, ainda, que o preço médio da
gasolina em Natal na semana encerrada em 18 de abril, segundo dados da ANP (R$
6,74/litro) ainda se situa abaixo da média do Nordeste (R$ 6,97/lit), embora
esteja acima da média Brasil (R$ 6,75/litro).
Diesel
S10
No diesel S10 — o produto mais sensível ao custo
logístico e com maior impacto sobre a inflação de alimentos e transportes —, o
Rio Grande do Norte registrou alta de R$ 0,53/litro (+7,8%) entre março e
abril, passando de R$ 6,82 para R$ 7,35/litro.
Esse aumento é compatível com os reajustes
promovidos pela 3R/Brava (Guamaré) no período, indicando que, no diesel, o
repasse ao consumidor final foi substancial. A comparação com os estados
vizinhos revela, porém, que o RN apresentou alta em magnitude intermediária —
abaixo de Piauí (+15,4%), Sergipe (+11,9%), Paraíba (+12,1%) e Bahia (+10,7%),
mas acima de Pernambuco (+6,3%) e Ceará (+7,7%).
Em termos de ranking nacional em abril, o RN ocupa a
17ª posição entre os 27 estados no preço do diesel S10, ou seja, está no meio
do pelotão — com R$ 7,35/litro, contra R$ 7,49/litro de média nacional e R$
8,07/litro da Bahia (estado mais caro do Nordeste para este produto).
SÍNTESE: REPASSE DOS REAJUSTES DE REFINARIA AO
CONSUMIDOR DO RN
▸
DIESEL S10: Reajuste de refinaria (est.) ≈ +R$ 0,28 a +R$ 0,35/L → Repasse no
varejo = +R$ 0,53/L
Interpretação: repasse INTEGRAL + margem
adicional no varejo (ou distribuidoras)
▸
GASOLINA COMUM: Reajuste de refinaria (Brava/Guamaré) ≈ estável a levemente
positivo
Repasse no
varejo = -R$ 0,24/L (queda)
Interpretação: repasse NÃO ocorreu; postos reduziram
preço apesar de pressão externa
Com base nos dados da ANP relativos a 18 de abril de
2026, o Rio Grande do Norte apresenta o seguinte posicionamento no ranking dos
27 estados:
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros




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