sexta-feira, 24 de abril de 2026

Postos do RN praticam gasolina abaixo da média nacional mesmo com refinarias reajustando preços

 


Enquanto os demais oito estados do Nordeste registraram alta no preço da gasolina comum entre março e abril de 2026 — com aumentos de até 6,4% —, o Rio Grande do Norte seguiu na contramão: foi o único da região a apresentar queda, de R$ 6,98 para R$ 6,74 por litro, recuo de 3,4%, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relativo à semana de 12 a 18 de abril.

O movimento coloca o estado abaixo da média nacional (R$ 6,75/litro) e na contramão de um ciclo de reajustes promovido pelas refinarias privadas que abastecem o Nordeste — sobretudo a Acelen, em Mataripe (BA), e a 3R/Brava, em Guamaré (RN) —, motivado pela escalada do barril Brent, que passou de cerca de US$ 72–75 em fevereiro para acima de US$ 100 em abril.

No diesel S10, o repasse foi mais direto: os postos do RN repassaram integralmente os reajustes de refinaria, com alta de R$ 0,53/litro (+7,8%), mas ainda assim o estado ocupa a 17ª posição no ranking nacional de preços — abaixo da média do país (R$ 7,49/litro) e mais barato que todos os vizinhos nordestinos, à exceção de Ceará e Pernambuco.

Tudo isso ocorre num cenário em que o mercado internacional de petróleo ainda atravessa um período de tensão geopolítica aguda. O barril Brent opera acima de US$ 103, sustentado pelo risco de interrupção no Estreito de Ormuz — passagem por onde flui cerca de 20% do petróleo mundial. Negociações entre Estados Unidos e Irã permanecem travadas, e os chamados traders têm precificado não apenas um evento pontual, mas um "risco persistente" de restrição de oferta.

No Brasil, esse ambiente internacional cria uma pressão assimétrica: a Petrobras mantém preços de refinaria deliberadamente abaixo do mercado internacional (defasagem negativa de R$ 1,47/litro na gasolina e R$ 1,73/litro no diesel S10, segundo o boletim da Nortear Energy de 23/4/2026), enquanto as refinarias privadas — Acelen (Mataripe/BA) e 3R Petroleum (Brava, com a Refinaria Clara Camarão, em Guamaré/RN) — praticam preços muito próximos à paridade de importação.

Para o consumidor potiguar, essa arquitetura de mercado tem um significado direto: os postos do Rio Grande do Norte são majoritariamente abastecidos pelas refinarias privadas — sobretudo pela Brava/Guamaré, localizada no próprio estado — e, portanto, os preços praticados nas bombas tendem a refletir com mais fidelidade os movimentos do mercado internacional.

Entre o final de fevereiro e meados de abril de 2026, as refinarias privadas que abastecem o Nordeste promoveram uma série de reajustes, com destaque para a Acelen (Mataripe) e a 3R Petroleum (Guamaré). Os movimentos foram motivados pela alta do Brent, que passou de uma faixa de US$ 72–75 em fevereiro para o patamar acima de US$ 100 em abril.

REAJUSTES DAS REFINARIAS PRIVADAS NO NORDESTE (FEV–ABR/2026)

Acelen (Mataripe/BA) — Diesel S10: alta acumulada estimada de R$ 0,28 a R$ 0,35/litro

Acelen (Mataripe/BA) — Gasolina A: alta acumulada estimada de R$ 0,18 a R$ 0,25/litro

3R/Brava (Guamaré/RN) — Diesel: ajuste próximo ao de Mataripe; gasolina ligeiramente mais estável

Petrobras — Diesel S10: sem reajuste; defasagem de -R$ 1,73/litro (23/4/2026)

Petrobras — Gasolina A: sem reajuste; defasagem de -R$ 1,47/litro (23/4/2026)

Fontes: Nortear Energy (boletim 23/4); reportagens Sindipostos-RN/DICOM sobre Acelen e Clara Camarão

A questão central é: o quanto desses reajustes de refinaria foi repassado ao consumidor final? Os dados da ANP, comparando as semanas de 8–14/3 e 12–18/4, permitem uma aproximação razoável dessa resposta.

 O comportamento da gasolina comum no Rio Grande do Norte entre as duas pesquisas da ANP é particularmente interessante: enquanto todos os demais estados do Nordeste registraram alta — com variações de +3,6% (Alagoas) a +6,4% (Ceará) —, o RN foi o único estado da região a apresentar queda, de R$ 6,98/litro para R$ 6,74/litro (-R$ 0,24; -3,4%).

Como a Brava/Guamaré (refinaria potiguar) manteve a gasolina relativamente estável ao longo do período — enquanto Acelen promovia ajustes mais agressivos —, os postos do RN, que dependem menos de Mataripe (onde fica a refinaria da Acelen) para a gasolina, sentiram menos pressão de alta. Além disso, movimentos de competição local e o papel dos distribuidores podem ter contribuído para acomodar ou até reduzir margens no varejo.

Importante notar, ainda, que o preço médio da gasolina em Natal na semana encerrada em 18 de abril, segundo dados da ANP (R$ 6,74/litro) ainda se situa abaixo da média do Nordeste (R$ 6,97/lit), embora esteja acima da média Brasil (R$ 6,75/litro).

 


 

Diesel S10

No diesel S10 — o produto mais sensível ao custo logístico e com maior impacto sobre a inflação de alimentos e transportes —, o Rio Grande do Norte registrou alta de R$ 0,53/litro (+7,8%) entre março e abril, passando de R$ 6,82 para R$ 7,35/litro.

Esse aumento é compatível com os reajustes promovidos pela 3R/Brava (Guamaré) no período, indicando que, no diesel, o repasse ao consumidor final foi substancial. A comparação com os estados vizinhos revela, porém, que o RN apresentou alta em magnitude intermediária — abaixo de Piauí (+15,4%), Sergipe (+11,9%), Paraíba (+12,1%) e Bahia (+10,7%), mas acima de Pernambuco (+6,3%) e Ceará (+7,7%).

Em termos de ranking nacional em abril, o RN ocupa a 17ª posição entre os 27 estados no preço do diesel S10, ou seja, está no meio do pelotão — com R$ 7,35/litro, contra R$ 7,49/litro de média nacional e R$ 8,07/litro da Bahia (estado mais caro do Nordeste para este produto).

 

SÍNTESE: REPASSE DOS REAJUSTES DE REFINARIA AO CONSUMIDOR DO RN

DIESEL S10: Reajuste de refinaria (est.) ≈ +R$ 0,28 a +R$ 0,35/L → Repasse no varejo = +R$ 0,53/L

 Interpretação: repasse INTEGRAL + margem adicional no varejo (ou distribuidoras)

GASOLINA COMUM: Reajuste de refinaria (Brava/Guamaré) ≈ estável a levemente positivo

 Repasse no varejo = -R$ 0,24/L (queda)

Interpretação: repasse NÃO ocorreu; postos reduziram preço apesar de pressão externa

Com base nos dados da ANP relativos a 18 de abril de 2026, o Rio Grande do Norte apresenta o seguinte posicionamento no ranking dos 27 estados:

 


 Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

 

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