O policial civil aposentado Sergio Felipe, de Minas
Gerais, dirigia o Hyundai HB20 flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF)
na Rodovia Fernão Dias, no interior paulista transportando R$ 746 mil em
dinheiro vivo. No banco do passageiro estava José do Carmo Vieira, de 66 anos,
que disse ser “coordenador político” do Podemos.
Vieira, em depoimento, afirmou que havia pegado a
quantia em uma reunião do partido, em São Paulo, antes de seguir viagem para
Minas Gerais. Os dois, motorista e passageiro, foram levados à Polícia Federal
(PF) de Campinas para averiguação por possível crime de lavagem de dinheiro e
crime eleitoral.
De acordo com o registro da ocorrência, obtido pelo
Metrópoles, Vieira ainda contou que o dinheiro seria utilizado para “fazer
alguns pagamentos” e não soube informar qual seria a origem do montante.
Horas antes da abordagem Sergio Felipe havia publicado
em seu perfil no Instagram um story em frente a um banner com o anúncio de um
evento da Fundação Juntos Podemos, controlada pelo partido, que ocorreria dois
dias depois. A agenda contou com a participação da presidente da legenda,
Renata Abreu, e de cinco deputados federais paulistas. “Em evento do Podemos em
São Paulo”, escreveu o policial aposentado.
Dinheiro vivo na estrada
A apreensão do dinheiro vivo ocorreu no km 7 da
Rodovia Fernão Dias, na cidade de Vargem. Em depoimento, os agentes da PRF envolvidos
na ocorrência disseram que os suspeitos demonstraram nervosismo e começaram a
dar explicações antes mesmo de serem questionados. No banco de trás, os
policiais encontraram a caixa de papelão onde as notas de reais estavam
escondidas.
No registro da ocorrência, a PRF apontou que José do
Carmo Vieira é sócio da empresa Mar de Minas Cooperativa de Transportes, que
tem contrato com uma prefeitura mineira para o transporte de passageiros
intermunicipal utilizando vans e ônibus. Sergio Felipe é membro da Comissão
Regional de Transportes e Trânsito (CRTT).
O Metrópoles questionou a presidente do Podemos,
Renata Abreu, sobre a ocorrência, mas até o momento da publicação não houve
retorno. Procurado por telefone, Sergio Felipe desligou assim que a reportagem
o questionou sobre a apreensão. O Metrópoles não conseguiu contato com José do
Carmo Vieira. O espaço segue aberto para as manifestações.
Metrópoles

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