O Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a
indicação de Jorge Messias para o STF, em uma votação marcada por forte divisão
e resultado histórico. Foram 42 votos contrários, 34 favoráveis e 1 abstenção,
impondo uma derrota inédita ao presidente Lula (PT), já que, pela
primeira vez em 134 anos, uma indicação ao Supremo é barrada pelo plenário da
Casa.
A votação aconteceu após intensa articulação
política no Senado e encerrou um processo que já vinha dividido desde a
sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Messias havia sido aprovado
na comissão com 16 votos favoráveis, mas não conseguiu repetir o desempenho no
plenário.
Segundo o resultado oficial, o advogado-geral da
União precisava de pelo menos 41 votos para ser aprovado, mas terminou com 34.
A rejeição foi articulada em meio à resistência de parlamentares da oposição e
também de parte da própria base, conforme apuração no Senado.
Mais cedo, durante a sabatina na CCJ, Messias
defendeu o “aperfeiçoamento” do STF e criticou a atuação individual de
ministros. Ele também se posicionou contra a legalização do aborto e destacou
sua formação evangélica como parte de sua trajetória pessoal.
Com a rejeição, o governo Lula terá de recalcular a
estratégia para indicar um novo nome à vaga deixada pelo ministro Roberto
Barroso, que antecipou sua aposentadoria para outubro de 2025. O Planalto agora
enfrenta um cenário de articulação política mais difícil no Senado, segundo
avaliação de bastidores.

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