Felipe Salustino
Repórter
O número de ambulantes que atuam no setor de
alimentação com cadastro de Microempreendedor Individual (MEI) ativo no Rio
Grande do Norte saiu de 1.162 em 2020 para 2.214 em 2026 (dados até a segunda
semana de fevereiro), de acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas do RN (Sebrae RN). O aumento representa uma expansão
de 90,5% no período.
O levantamento considera como ambulantes do setor de
alimentação aqueles que atuam com serviços de food trucks, carrocinhas,
barracas e quiosques. Segundo o Sebrae RN, os municípios de Natal, Parnamirim e
Mossoró concentram, juntos, mais da metade (58%) desses pequenos negócios
formalizados. Na capital, atualmente, são 880 ambulantes do setor de
alimentação com MEI ativo; em Parnamirim, são 270; e em Mossoró, 155.
Os dados apontam que a quantidade de ambulantes
microempreendedores individuais no estado apresenta crescimento constante desde
2020. Enquanto naquele ano eram 1.162, no ano seguinte, o número foi para
1.382. Em 2022, eram 1.483 microempreendedores individuais ativos no setor,
saltando para 1.657 no ano seguinte e para 1.850 em 2024. Em 2025, o número foi
a 2.158. Este ano, até a segunda semana de fevereiro, são 56 novos registros
ativos, totalizando 2.214.
Thales Medeiros, gerente da Agência Sebrae Grande
Natal, atribui o crescimento ao aquecimento da economia e à desburocratização
da abertura de uma empresa MEI. “A desburocratização facilita para qualquer
empreendedor formalizar seus negócios para testar a oportunidade, podendo
prosseguir ou, de forma também muito simples, dar baixa caso não tenha
sucesso”, pontua.
“Além disso, podemos perceber que o aumento de
eventos, desde grandes shows a corridas de rua, geram ainda mais oportunidades
para o segmento de serviço ambulante de alimentação”, acrescenta Thales. Os
impactos da atuação desses negócios para a economia do RN abrangem toda uma
cadeia que vai além dos empreendedores em si, conforme explica o gerente da
Agência Sebrae Grande Natal.
“Uma empresa aberta amplia relações de consumo com fornecedores e com o
consumidor final, possibilita a geração de novos postos de trabalho, aumento da
renda per capita e isso tudo gera um ciclo virtuoso para todo o ecossistema”,
diz Thales Medeiros.
Além disso, de acordo com ele, o incremento de
empresas formalizadas possibilita uma melhor compreensão do mercado a partir de
dados oficiais essenciais para a elaboração de estratégias de desenvolvimento e
políticas públicas.
Novas formalizações crescem 55% em dois
anos
Entre 2023 e 2025 a quantidade de novas
formalizações de ambulantes da área de alimentação cresceu 55,3% no Rio Grande
do Norte, segundo dados da plataforma DataSebrae, do Sebrae Nacional. O aumento
percentual foi maior em relação ao de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e
Bahia, que se destacaram em números absolutos. De acordo com o levantamento,
foram 455 novos cadastros de ambulantes MEIs no RN em 2023; em 2024 foram mais
482, e 707 no ano passado.
Alessandra Karina trabalha como ambulante na Praia
de Ponta Negra há 27 anos, mas somente em 2021 ela decidiu abrir o cadastro de
microempreendedora individual. “É uma segurança para quem, assim como eu, tira
o sustento somente da praia para pagar água, luz e aluguel”, conta Karina, que
trabalha com drinks. “Temos ula-ula e caipirinha dos mais variados sabores. A
caipirinha é a mais procurada, principalmente, pelos turistas”, conta a
ambulante de 42 anos.
Evanir Caetano, de 54 anos, formalizou o negócio – a
venda de churrasquinho – em 2014. Para ele, a principal vantagem é poder contar
com a garantia de que será amparado caso precise parar de trabalhar. “Se eu
tiver um problema de saúde, estou resguardado, assim como já aconteceu com
colegas que precisaram, foram atrás da previdência e conseguiram o benefício
para ficar afastado. Além disso, estou pensando na minha aposentadoria”, relata
o vendedor, que trabalha com churrasquinho há 24 anos.
De acordo com o Sebrae Nacional, a formalização do
setor segue em crescimento em todo o Brasil. No País, mais de 56 mil ambulantes
do ramo se tornaram microempreendedores individuais em 2025, um aumento de 45%
em dois anos. Foram 38,8 mil em 2023 e 42,8 mil em 2024. Em São Paulo, houve o
cadastro de 16.015 ambulantes como MEI em 2025, 43% a mais do que o registrado
em 2023 (11.139). No Rio de Janeiro, 6.572 ambulantes se formalizaram como MEI
no ano passado, um aumento de 54% na comparação com dois anos antes, quando
4.259 se formalizaram.
No Nordeste, um dos destaques em números absolutos
foi a Bahia, com quase 3 mil ambulantes formalizados como MEI no ano passado,
39% a mais do que em 2023. Diante da força dos microempreendedores, Thales
Medeiros, da Agência Grande Natal, afirma que o Sebrae atua fortemente para
aumentar as chances de sucesso e diminuir a taxa de mortalidade desses
negócios.
“Essa atuação é feita através de nossa rede de
atendimento presencial, que inclui 8 agências de atendimento e 164 salas do
empreendedor espalhadas em quase todo o RN, e também através de atendimento
remoto pela nossa central de relacionamento. Assim, conseguimos estar o mais
próximo possível dos empreendedores e suas necessidades, ofertando soluções
educacionais, mentoria, consultoria e orientação técnica especializada para sua
estabilidade e crescimento”, falou.
Confira as regras e os benefícios de se
tornar MEI
Para se tornar um MEI, em primeiro lugar, é preciso
que o candidato não possua outra empresa em seu nome antes da formalização.
Após o registro, ele também não poderá ter sócios, a menos que migre para o
regime de microempresa (ME). Além disso, a lei determina um teto de faturamento
de R$ 81 mil por ano para o microempreendedor individual.
“O candidato deve atender às obrigações de pagamento
mensais de contribuição, como o Documento de Arrecadação do Simples (DAS) e
realizar a Declaração Anual do Simples Nacional no início de cada ano, até
maio”, detalha Thales Medeiros, do Sebrae RN.
Segundo ele, o modelo permite variados benefícios.
“O empresário MEI passa a contribuir para a Previdência Social, podendo gozar
dos benefícios assistenciais em caso de afastamento (e de acordo com as regras
de carência da Previdência), além da possibilidade de acessar novos mercados
cujo critério é a formalização como pessoa jurídica”, menciona Thales Medeiros.
A contadora Maria Daiane, que faz parte do Conselho
Regional de Contabilidade do RN (CRC-RN), destaca que ter um CNPJ traz
vantagens como descontos na hora de comprar os produtos para revenda ou a
matéria-prima para fabricá-los.
“No que diz respeito à Previdência, quem paga o MEI
tem direito a se aposentar por idade, a se afastar por doenças que não estejam
relacionadas ao trabalho, e ao salário-maternidade, no caso das mamães. Por
fim, o MEI também pode contratar um funcionário com os mesmos direitos que
qualquer outro tipo de empresa”, esclarece.
Maria Daiane orienta o que os empreendedores
precisam fazer para garantir a sustentabilidade dos negócios, uma vez que o
número de MEIs cancelados, no casos dos ambulantes que atuam no ramo
alimentício, é significativo: segundo o Sebrae RN, foram 310 cadastros
encerrados no RN e entre 2024 e a segunda semana de fevereiro deste ano.
“Um dos principais motivos que levam ao fechamento
do MEI é misturar as finanças pessoais com as da empresa. Muitos
microempreendedores, por falta de planejamento, acabam não separando o
dinheiro. Com isso, a empresa fica sem caixa e sem o básico para sobreviver”,
analisa a contadora. A dica, segundo ela, é fazer um controle financeiro
básico, em livro de caixa, e estar atento às obrigações legais. “É importante
fazer cursos de gestão financeira e atendimento, buscar apoio de profissionais
da contabilidade para entender melhor o negócio”, afirma.

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