domingo, 15 de março de 2026

Número de ambulantes com cadastro de MEI cresce 90% no RN desde 2020

 


Felipe Salustino
Repórter

O número de ambulantes que atuam no setor de alimentação com cadastro de Microempreendedor Individual (MEI) ativo no Rio Grande do Norte saiu de 1.162 em 2020 para 2.214 em 2026 (dados até a segunda semana de fevereiro), de acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do RN (Sebrae RN). O aumento representa uma expansão de 90,5% no período.

O levantamento considera como ambulantes do setor de alimentação aqueles que atuam com serviços de food trucks, carrocinhas, barracas e quiosques. Segundo o Sebrae RN, os municípios de Natal, Parnamirim e Mossoró concentram, juntos, mais da metade (58%) desses pequenos negócios formalizados. Na capital, atualmente, são 880 ambulantes do setor de alimentação com MEI ativo; em Parnamirim, são 270; e em Mossoró, 155.

Os dados apontam que a quantidade de ambulantes microempreendedores individuais no estado apresenta crescimento constante desde 2020. Enquanto naquele ano eram 1.162, no ano seguinte, o número foi para 1.382. Em 2022, eram 1.483 microempreendedores individuais ativos no setor, saltando para 1.657 no ano seguinte e para 1.850 em 2024. Em 2025, o número foi a 2.158. Este ano, até a segunda semana de fevereiro, são 56 novos registros ativos, totalizando 2.214.

Thales Medeiros, gerente da Agência Sebrae Grande Natal, atribui o crescimento ao aquecimento da economia e à desburocratização da abertura de uma empresa MEI. “A desburocratização facilita para qualquer empreendedor formalizar seus negócios para testar a oportunidade, podendo prosseguir ou, de forma também muito simples, dar baixa caso não tenha sucesso”, pontua.

“Além disso, podemos perceber que o aumento de eventos, desde grandes shows a corridas de rua, geram ainda mais oportunidades para o segmento de serviço ambulante de alimentação”, acrescenta Thales. Os impactos da atuação desses negócios para a economia do RN abrangem toda uma cadeia que vai além dos empreendedores em si, conforme explica o gerente da Agência Sebrae Grande Natal.


“Uma empresa aberta amplia relações de consumo com fornecedores e com o consumidor final, possibilita a geração de novos postos de trabalho, aumento da renda per capita e isso tudo gera um ciclo virtuoso para todo o ecossistema”, diz Thales Medeiros.

Além disso, de acordo com ele, o incremento de empresas formalizadas possibilita uma melhor compreensão do mercado a partir de dados oficiais essenciais para a elaboração de estratégias de desenvolvimento e políticas públicas.

Novas formalizações crescem 55% em dois anos

Entre 2023 e 2025 a quantidade de novas formalizações de ambulantes da área de alimentação cresceu 55,3% no Rio Grande do Norte, segundo dados da plataforma DataSebrae, do Sebrae Nacional. O aumento percentual foi maior em relação ao de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, que se destacaram em números absolutos. De acordo com o levantamento, foram 455 novos cadastros de ambulantes MEIs no RN em 2023; em 2024 foram mais 482, e 707 no ano passado.

Alessandra Karina trabalha como ambulante na Praia de Ponta Negra há 27 anos, mas somente em 2021 ela decidiu abrir o cadastro de microempreendedora individual. “É uma segurança para quem, assim como eu, tira o sustento somente da praia para pagar água, luz e aluguel”, conta Karina, que trabalha com drinks. “Temos ula-ula e caipirinha dos mais variados sabores. A caipirinha é a mais procurada, principalmente, pelos turistas”, conta a ambulante de 42 anos.

Evanir Caetano, de 54 anos, formalizou o negócio – a venda de churrasquinho – em 2014. Para ele, a principal vantagem é poder contar com a garantia de que será amparado caso precise parar de trabalhar. “Se eu tiver um problema de saúde, estou resguardado, assim como já aconteceu com colegas que precisaram, foram atrás da previdência e conseguiram o benefício para ficar afastado. Além disso, estou pensando na minha aposentadoria”, relata o vendedor, que trabalha com churrasquinho há 24 anos.

De acordo com o Sebrae Nacional, a formalização do setor segue em crescimento em todo o Brasil. No País, mais de 56 mil ambulantes do ramo se tornaram microempreendedores individuais em 2025, um aumento de 45% em dois anos. Foram 38,8 mil em 2023 e 42,8 mil em 2024. Em São Paulo, houve o cadastro de 16.015 ambulantes como MEI em 2025, 43% a mais do que o registrado em 2023 (11.139). No Rio de Janeiro, 6.572 ambulantes se formalizaram como MEI no ano passado, um aumento de 54% na comparação com dois anos antes, quando 4.259 se formalizaram.

No Nordeste, um dos destaques em números absolutos foi a Bahia, com quase 3 mil ambulantes formalizados como MEI no ano passado, 39% a mais do que em 2023. Diante da força dos microempreendedores, Thales Medeiros, da Agência Grande Natal, afirma que o Sebrae atua fortemente para aumentar as chances de sucesso e diminuir a taxa de mortalidade desses negócios.

“Essa atuação é feita através de nossa rede de atendimento presencial, que inclui 8 agências de atendimento e 164 salas do empreendedor espalhadas em quase todo o RN, e também através de atendimento remoto pela nossa central de relacionamento. Assim, conseguimos estar o mais próximo possível dos empreendedores e suas necessidades, ofertando soluções educacionais, mentoria, consultoria e orientação técnica especializada para sua estabilidade e crescimento”, falou.

Confira as regras e os benefícios de se tornar MEI

Para se tornar um MEI, em primeiro lugar, é preciso que o candidato não possua outra empresa em seu nome antes da formalização. Após o registro, ele também não poderá ter sócios, a menos que migre para o regime de microempresa (ME). Além disso, a lei determina um teto de faturamento de R$ 81 mil por ano para o microempreendedor individual.

“O candidato deve atender às obrigações de pagamento mensais de contribuição, como o Documento de Arrecadação do Simples (DAS) e realizar a Declaração Anual do Simples Nacional no início de cada ano, até maio”, detalha Thales Medeiros, do Sebrae RN.

Segundo ele, o modelo permite variados benefícios. “O empresário MEI passa a contribuir para a Previdência Social, podendo gozar dos benefícios assistenciais em caso de afastamento (e de acordo com as regras de carência da Previdência), além da possibilidade de acessar novos mercados cujo critério é a formalização como pessoa jurídica”, menciona Thales Medeiros.

A contadora Maria Daiane, que faz parte do Conselho Regional de Contabilidade do RN (CRC-RN), destaca que ter um CNPJ traz vantagens como descontos na hora de comprar os produtos para revenda ou a matéria-prima para fabricá-los.

“No que diz respeito à Previdência, quem paga o MEI tem direito a se aposentar por idade, a se afastar por doenças que não estejam relacionadas ao trabalho, e ao salário-maternidade, no caso das mamães. Por fim, o MEI também pode contratar um funcionário com os mesmos direitos que qualquer outro tipo de empresa”, esclarece.

Maria Daiane orienta o que os empreendedores precisam fazer para garantir a sustentabilidade dos negócios, uma vez que o número de MEIs cancelados, no casos dos ambulantes que atuam no ramo alimentício, é significativo: segundo o Sebrae RN, foram 310 cadastros encerrados no RN e entre 2024 e a segunda semana de fevereiro deste ano.

“Um dos principais motivos que levam ao fechamento do MEI é misturar as finanças pessoais com as da empresa. Muitos microempreendedores, por falta de planejamento, acabam não separando o dinheiro. Com isso, a empresa fica sem caixa e sem o básico para sobreviver”, analisa a contadora. A dica, segundo ela, é fazer um controle financeiro básico, em livro de caixa, e estar atento às obrigações legais. “É importante fazer cursos de gestão financeira e atendimento, buscar apoio de profissionais da contabilidade para entender melhor o negócio”, afirma.

 

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