No Rio Grande do Norte, 45% dos empresários do setor
de bares e restaurantes registraram retração no faturamento de janeiro com
relação a dezembro, enquanto 40% registraram crescimento e 13% apontaram
estabilidade. Outros 2% dos estabelecimentos não existiam no mês anterior. Além
disso, um em cada quatro bares e restaurantes operou com prejuízo em janeiro
deste ano, o que corresponde a 25% das empresas do segmento. O índice ficou
levemente acima da média nacional, que foi de 23%.
Os dados são da pesquisa realizada pela Associação
Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel RN) entre os
dias 23 de fevereiro e 3 de março. A situação indica um alerta no desempenho
financeiro do setor. O presidente da entidade, Thiago Machado, aponta que o
começo do ano costuma ser menos favorável para o segmento, tanto pela redução
do fluxo de clientes em alguns períodos quanto pela concentração de despesas
que pesam sobre os consumidores.
“O início do ano é sempre mais desafiador, com muita
gente viajando para as praias e, logo na sequência, o Carnaval. Além disso, há
uma concentração de despesas típicas desse período, como IPTU, IPVA e gastos
com a volta às aulas, o que acaba reduzindo o consumo”, afirma.
A pesquisa aponta ainda que metade dos
estabelecimentos do RN teve lucro no período analisado, enquanto 24%
permaneceram em equilíbrio financeiro. Outros 1% dos negócios não existiam em
janeiro.
Na média do país, a situação foi um pouco menos
pressionada: 23% das empresas operaram no vermelho, de acordo com a pesquisa
realizada pela Abrasel em todo o Brasil no mesmo período.
O economista Helder Cavalcanti, por outro lado,
observa que o resultado não pode ser avaliado de forma isolada. Segundo ele,
além dos fatores sazonais da economia, é preciso observar as mudanças no
comportamento do consumidor. No caso dos mais jovens, observa, há uma tendência
de maior conexão ao ambiente digital e hábitos saudáveis.
Outro ponto observado pelo economista é a influência
da Taxa Selic – atualmente em 15% ao ano – no consumo e na redução do poder de
compra dos consumidores. “Fora que a inflação dos alimentos, a nível de
supermercado, está em queda, enquanto que a de alimentos preparados fora de
casa está um pouco acima. Isso motiva muitas pessoas a optarem por refeições
caseiras, aproveitando o período de férias e reduzindo seus custos com
alimentação fora de casa”, completa.
Ainda segundo ele, o resultado não reflete
automaticamente um sinal negativo e deve estimular o setor a observar as
transformações sociais. “Quando há essa mudança de comportamento, a economia
responde de forma dinâmica. O consumo não desaparece, mas se reorganiza.
Pessoas que antes frequentavam bares à noite podem estar priorizando atividades
físicas, corridas ou outras práticas relacionadas à saúde e ao bem-estar”,
compartilha o economista.
Faturamento e reajuste
No cenário nacional, a queda nas receitas de janeiro
– com relação a dezembro – do setor de bares e restaurantes foi apontada por
57% dos empresários, percentual acima do registrado no Rio Grande do Norte, de
45%. Apesar de o resultado do RN ter sido melhor com relação ao registrado no
país, o setor continua pressionado pelos custos e pela dificuldade de repassar
aumentos ao consumidor.
De acordo com o levantamento da Abrasel, 37% dos
estabelecimentos do Rio Grande do Norte não conseguiram reajustar preços nos
últimos 12 meses, enquanto 54% realizaram reajustes iguais ou abaixo da
inflação. Apenas 9% conseguiram elevar os preços acima da inflação. No país, o
cenário foi mais favorável, com 31% dos estabelecimentos não conseguindo
reajustar preços no último ano.
Helder Cavalcanti explica que quando os custos
aumentam e o empresário não consegue repassar os reajustes para o preço final,
ocorre uma compressão das margens de lucro. “Por isso, muitos empresários
acabam optando por reajustes menores ou por absorver parte desses custos. É uma
forma de preservar o fluxo de clientes em um setor altamente competitivo e
muito sensível às condições econômicas das famílias”, esclarece.
Apesar do cenário de restrições no início deste ano,
Thiago Machado acredita que o restante do ano pode trazer oportunidades de
recuperação para o setor. “Ao longo do ano, o segmento deve encontrar boas
oportunidades de crescimento, impulsionado pela Copa do Mundo e pelos feriados
prolongados”, diz.
O economista Ricardo Valério, superintendente do
Conselho Regional de Economia do RN (Corecon/RN), avalia que a partir deste mês
é comum a recuperação da frequência habitual dos clientes do setor. “Isso já
está muito evidente aqui mesmo em Natal, com os restaurantes voltando a ficar
lotados, bem como os pedidos pelo delivery voltando com grande intensidade”,
aponta.

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