quinta-feira, 12 de março de 2026

No RN, 45% dos restaurantes e bares registram perdas em janeiro

 


No Rio Grande do Norte, 45% dos empresários do setor de bares e restaurantes registraram retração no faturamento de janeiro com relação a dezembro, enquanto 40% registraram crescimento e 13% apontaram estabilidade. Outros 2% dos estabelecimentos não existiam no mês anterior. Além disso, um em cada quatro bares e restaurantes operou com prejuízo em janeiro deste ano, o que corresponde a 25% das empresas do segmento. O índice ficou levemente acima da média nacional, que foi de 23%.

Os dados são da pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel RN) entre os dias 23 de fevereiro e 3 de março. A situação indica um alerta no desempenho financeiro do setor. O presidente da entidade, Thiago Machado, aponta que o começo do ano costuma ser menos favorável para o segmento, tanto pela redução do fluxo de clientes em alguns períodos quanto pela concentração de despesas que pesam sobre os consumidores.

“O início do ano é sempre mais desafiador, com muita gente viajando para as praias e, logo na sequência, o Carnaval. Além disso, há uma concentração de despesas típicas desse período, como IPTU, IPVA e gastos com a volta às aulas, o que acaba reduzindo o consumo”, afirma.

A pesquisa aponta ainda que metade dos estabelecimentos do RN teve lucro no período analisado, enquanto 24% permaneceram em equilíbrio financeiro. Outros 1% dos negócios não existiam em janeiro.

Na média do país, a situação foi um pouco menos pressionada: 23% das empresas operaram no vermelho, de acordo com a pesquisa realizada pela Abrasel em todo o Brasil no mesmo período.

O economista Helder Cavalcanti, por outro lado, observa que o resultado não pode ser avaliado de forma isolada. Segundo ele, além dos fatores sazonais da economia, é preciso observar as mudanças no comportamento do consumidor. No caso dos mais jovens, observa, há uma tendência de maior conexão ao ambiente digital e hábitos saudáveis.

Outro ponto observado pelo economista é a influência da Taxa Selic – atualmente em 15% ao ano – no consumo e na redução do poder de compra dos consumidores. “Fora que a inflação dos alimentos, a nível de supermercado, está em queda, enquanto que a de alimentos preparados fora de casa está um pouco acima. Isso motiva muitas pessoas a optarem por refeições caseiras, aproveitando o período de férias e reduzindo seus custos com alimentação fora de casa”, completa.

Ainda segundo ele, o resultado não reflete automaticamente um sinal negativo e deve estimular o setor a observar as transformações sociais. “Quando há essa mudança de comportamento, a economia responde de forma dinâmica. O consumo não desaparece, mas se reorganiza. Pessoas que antes frequentavam bares à noite podem estar priorizando atividades físicas, corridas ou outras práticas relacionadas à saúde e ao bem-estar”, compartilha o economista.

Faturamento e reajuste

No cenário nacional, a queda nas receitas de janeiro – com relação a dezembro – do setor de bares e restaurantes foi apontada por 57% dos empresários, percentual acima do registrado no Rio Grande do Norte, de 45%. Apesar de o resultado do RN ter sido melhor com relação ao registrado no país, o setor continua pressionado pelos custos e pela dificuldade de repassar aumentos ao consumidor.

De acordo com o levantamento da Abrasel, 37% dos estabelecimentos do Rio Grande do Norte não conseguiram reajustar preços nos últimos 12 meses, enquanto 54% realizaram reajustes iguais ou abaixo da inflação. Apenas 9% conseguiram elevar os preços acima da inflação. No país, o cenário foi mais favorável, com 31% dos estabelecimentos não conseguindo reajustar preços no último ano.

Helder Cavalcanti explica que quando os custos aumentam e o empresário não consegue repassar os reajustes para o preço final, ocorre uma compressão das margens de lucro. “Por isso, muitos empresários acabam optando por reajustes menores ou por absorver parte desses custos. É uma forma de preservar o fluxo de clientes em um setor altamente competitivo e muito sensível às condições econômicas das famílias”, esclarece.

Apesar do cenário de restrições no início deste ano, Thiago Machado acredita que o restante do ano pode trazer oportunidades de recuperação para o setor. “Ao longo do ano, o segmento deve encontrar boas oportunidades de crescimento, impulsionado pela Copa do Mundo e pelos feriados prolongados”, diz.

O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon/RN), avalia que a partir deste mês é comum a recuperação da frequência habitual dos clientes do setor. “Isso já está muito evidente aqui mesmo em Natal, com os restaurantes voltando a ficar lotados, bem como os pedidos pelo delivery voltando com grande intensidade”, aponta.

 

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