A maioria dos casos de estupro de vulnerável no Brasil
não chega a uma decisão final da Justiça. Levantamento com 40,5 mil processos
encerrados entre 2020 e janeiro de 2026 mostra que 93% dos casos não passaram
da fase inicial, ou seja, nove a cada dez casos ficam impunes.
Apenas 2,8% resultaram na execução da pena ao fim do
julgamento. Nos casos de estupro em geral, o cenário é ainda mais crítico: 97%
também ficam presos nessa etapa inicial.
Considerando processos mais recentes, entre janeiro
de 2025 e janeiro de 2026, mais de 70% dos réus seguem sem condenação em um
universo de 102 mil ações. Desse total, 11,4% foram absolvidos e 60% nem
tiveram sentença.
Como funciona o problema
A chamada fase inicial é onde o juiz analisa provas
e decide se condena ou absolve. É também o único momento em que novas provas
podem ser incluídas.
Apesar de haver prazos legais, decisões podem
demorar mais de 1 ano para serem publicadas. Em muitos casos, o processo nem
chega a essa etapa final.
Principais motivos para interrupção
Entre as causas mais comuns estão:
- morte
do réu;
- prescrição
do crime;
- falta
de provas;
- abandono
ou desistência da vítima;
- duplicidade
de ações.
Dificuldades nas investigações
Especialistas apontam falhas na investigação e
sobrecarga do sistema como fatores centrais. Há também dificuldade na produção
de provas, especialmente quando o agressor é próximo da vítima.
Além disso, delegacias nem sempre têm estrutura
adequada, e policiais enfrentam pressão e falta de suporte.
Dados gerais do problema
- O
Brasil tem 325,7 mil processos relacionados ao crime desde 2020;
- 3
em cada 4 casos de estupro são de vulneráveis;
- 24%
dos casos julgados em 2025 tiveram condenação;
- 4,2%
tiveram condenação parcial;
- A
prisão definitiva, quando ocorre, leva em média 3,6 anos;
Perfil das vítimas e subnotificação
Mulheres são 84% das vítimas, com 66,5 mil denúncias
registradas em 2025 e 2026 — média de 157 por dia.
Mesmo assim, a maioria dos casos não chega à polícia.
Um estudo aponta cerca de 822 mil estupros por ano no país, mas apenas 8,5% são
denunciados.
Desigualdade no atendimento
O acesso à Justiça varia conforme a região. Estados
como Distrito Federal (717 casos por 100 mil habitantes) e Mato Grosso do Sul
(401) lideram em número de processos.
Especialistas destacam que faltam políticas públicas
padronizadas, o que dificulta o atendimento às vítimas e o andamento dos
processos.
Com informações de Folha de S. Paulo

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