Fontes ligadas à investigação do caso do Banco
Master relataram à CNN que a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro
deverá abordar as eventuais comunicações ocorridas entre o ministro Alexandre
de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a cúpula do BC (Banco Central)
durante o processo de liquidação do banco.
A ideia é explorar se o ministro tratou do assunto,
por exemplo, com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e com outros executivos
da autarquia monetária. O escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de
Moraes, fechou um contrato de R$ 129 milhões em 2024 com o antigo Banco Master.
O valor está fora dos padrões do mercado.
O plano dos investigadores vai na contramão da ideia
inicial de Vorcaro para a delação. Como revelou a CNN na semana passada, o
banqueiro pretende delatar políticos e poupar o STF.
No caso específico de Moraes e sua esposa, também
está no radar da investigação ter acesso a todos os 36 pareceres que o
escritório de sua esposa disse ter elaborado, bem como detalhes sobre as 79
reuniões semipresenciais na sede do Master, além dos dois encontros por
videoconferência.
O escritório disse não ter atuado na liquidação do
Master, mas em questões relacionadas ao compliance da empresa. Esses dados
foram divulgados pelo escritório, na primeira manifestação oficial da banca
sobre o contrato.
Há dois pontos, porém, que podem ser obstáculos. Um
deles é uma possível rejeição da PGR (Procuradoria-Geral da República), que
fará a delação conjuntamente com a PF. A CNN já mostrou que a proximidade de
Paulo Gonet com Moraes é vista como um obstáculo por investigadores.
Outro ponto é que um ministro do STF só pode ser investigado
a partir de uma autorização da própria Corte. Como nunca houve uma
possibilidade de delação premiada que acusasse integrantes do Supremo, não está
claro o procedimento seguinte caso Vorcaro delate algum de seus integrantes.
Procurado, o STF não se manifestou.
CNN Brasil

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