Ao longo dos últimos anos, o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e seu núcleo familiar construíram um
patrimônio imobiliário considerável no Distrito Federal.
A reportagem é do Metrópoles. A última aquisição é
um apartamento de alto padrão, de 154 metros quadrados, no Setor Noroeste,
bairro com o metro quadrado mais caro do DF.
A propriedade foi comprada pela filha de Toffoli,
Pietra Ortega Toffoli, por R$ 2,5 milhões, em fevereiro passado. A escritura
não menciona alienação fiduciária a bancos, ou seja, financiamento. Isso sugere
que o imóvel foi comprado à vista.
Hoje com 25 anos, Pietra ingressou no curso de
odontologia da Universidade de Brasília (UnB) em 2018. Toffoli disse à coluna,
por meio da assessoria, que “todas as receitas e patrimônios do ministro estão
devidamente declarados e aprovados em suas declarações anuais à Receita Federal
do Brasil”.
Toffoli: imóveis para empregadas domésticas
O imóvel adquirido mais recentemente por Toffoli é
um apartamento no Noroeste, de 47 metros quadrados. A propriedade foi avaliada
em R$ 600 mil por corretores consultados pela coluna. Foi adquirida em abril de
2024 pelo ministro. No entanto, o valor declarado na escritura foi de apenas R$
183 mil — o que está fora da realidade de mercado do bairro.
No ato da compra, os donos anteriores cedem o
direito de “usufruto vitalício” a uma mulher de 50 anos identificada no
documento como empregada doméstica.
Em maio de 2022, Toffoli comprou uma quitinete no
Lago Norte, com 31 m². O valor declarado foi de R$ 79,5 mil. Na época, o imóvel
valia entre R$ 240 mil e R$ 250 mil. Hoje, corretores avaliam a mesma
propriedade em cerca de R$ 350 mil.
A escritura transfere o “usufruto vitalício” do
imóvel a outra mulher, de 54 anos, também identificada como empregada
doméstica.
Ela informou como um de seus endereços anteriores
outra propriedade da família Toffoli: uma casa de 451 metros quadrados no Lago
Norte.
Com dois andares e piscina, esse imóvel também está
em nome de Pietra, filha do ministro. A casa foi comprada por Toffoli ainda em
2006, por R$ 700 mil. No entanto, em 2023, o ministro transferiu a propriedade
para a filha, declarando o valor de R$ 2,3 milhões.
Segundo corretores especializados na região, uma
casa com metragem semelhante na mesma quadra não sai por menos de R$ 4,2
milhões.
Os bens do clã Toffoli-Rangel: R$ 26,4 milhões
Em apenas três anos, de 2022 a 2025, Toffoli, a
filha e sua então mulher, a advogada Roberta Rangel, adquiriram quatro novos
imóveis, avaliados em cerca de R$ 4,9 milhões. Assim como no caso do
apartamento no Noroeste, não há menção a financiamentos nas escrituras.
Somados, todos os imóveis em nome de Toffoli, da
filha Pietra, de Roberta Rangel e do escritório chegam a R$ 26,5 milhões em
valor de mercado. Só os bens em nome do escritório somam cerca de R$ 12
milhões.
A conta é pertinente, pois o volume de trabalho de
Roberta Rangel aumentou nos tribunais superiores desde a nomeação de Toffoli
para o STF. O número de causas dela no STF e no Superior Tribunal de Justiça
(STJ) cresceu 140% após a nomeação do ex-marido.
Enquanto esteve casada com Toffoli, Roberta Rangel
também arrematou um apartamento de 83 m² no mesmo Setor Noroeste. A aquisição,
à vista, ocorreu em outubro de 2023. À época, o valor declarado na escritura
foi de R$ 669 mil. Hoje, porém, um apartamento com a mesma metragem e no mesmo
prédio é anunciado por R$ 1.250.000,00.
Em dezembro passado, após o fim do relacionamento
com Toffoli, Roberta Rangel comprou mais um apartamento. Desta vez, uma
cobertura na Asa Norte, com área de 259 m². Um imóvel no mesmo prédio, de alto
padrão, está anunciado por R$ 4,1 milhões. Novamente, não há menção a
financiamento bancário na escritura.
Antes de se tornar ministro do STF, em outubro de
2009, Toffoli foi sócio de um escritório de advocacia. A banca levava o nome de
“Toffoli & Rangel Advogados”, mas hoje é apenas “Rangel Advogados”.
O escritório era conduzido por Dias Toffoli e pela
advogada Roberta Maria Rangel, que anos mais tarde viria a se casar com o
ministro — os dois oficializaram a união em dezembro de 2013 e ficaram juntos
pelo menos até meados do ano passado. O ministro foi sócio do escritório de
agosto de 2005 a fevereiro de 2007.
“O terreno é da sogra do Toffoli”
Meses depois de Dias Toffoli tomar posse como
ministro do STF, o Rangel Advogados fez uma importante aquisição: um terreno de
1.875 m² no Lago Norte. O valor declarado na compra, realizada em dezembro de
2009, foi de R$ 1 milhão. Hoje, a propriedade vale pelo menos R$ 7 milhões,
segundo corretores consultados pela coluna.
A primeira dona do terreno foi a ex-deputada federal
Ivete Vargas (1927-1984), sobrinha-neta do ditador Getúlio Vargas (1882-1954).
Terreno do escritório Rangel Advocacia no Lago Norte
Na escritura consta o nome de casada da então
presidente do antigo partido PTB: Cândida Ivete Vargas Martins. Ela é descrita
no documento como “funcionária pública” e moradora do Rio de Janeiro (RJ).
No jargão imobiliário de Brasília, o terreno é
chamado de “ponta de picolé”: fica no fim da rua, com os fundos dando acesso
direto ao Lago Paranoá. O terreno está vazio, tomado pelo mato.
Anos atrás, os donos cercaram o local com alambrado,
depois que passou a ser usado por banhistas para acessar o lago. Questionado
pela coluna, um vizinho disse que o terreno seria “da sogra do Toffoli”.
Além desse imóvel, o Rangel Advogados também
comprou, em agosto de 2009, um conjunto de salas que somam 295 m². Esse imóvel
fica em um prédio de escritórios ao lado dos principais tribunais superiores de
Brasília. Hoje, vale pelo menos R$ 4,4 milhões e é o endereço do Rangel
Advogados até hoje.
Toffoli admite ser sócio de empresa dona do Tayayá
Até esta quinta-feira (12/2), Toffoli nunca havia
mencionado publicamente nenhuma outra fonte de renda além do subsídio do STF —
em janeiro, a remuneração líquida foi de R$ 46.571,74.
Nesta quinta, o ministro admitiu, em nota, ser sócio
de dois de seus irmãos na empresa Maridt Participações S.A. Apesar de estar
registrada em uma casa simples e sem indícios de atividade empresarial em
Marília (SP), a Maridt era dona de 17% do resort Tayayá, em Ribeirão Claro
(SP), até março passado.
Na Receita Federal, o capital social declarado da
Maridt é de apenas R$ 150.
Toffoli detalhou a participação na Maridt após a
revelação de supostas mensagens no celular do empresário mineiro Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master, que tratariam de pagamentos ao ministro. Ele
disse ter recebido valores da Maridt ao longo de anos. Todos os recursos teriam
origem lícita e sido devidamente declarados, segundo ele.

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