O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) oficializou o cancelamento de 76.665 licenças de pescadores e pescadoras profissionais de todo o Brasil. Publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira 9, a punição atinge parte dos 167.445 registros suspensos entre o fim de setembro e dezembro do ano passado.
A decisão baseia-se no artigo 26 da Portaria MPA
127, de 2023, que estabelece as normas, os critérios e os procedimentos
administrativos para o Registro Geral da Atividade Pesqueira e a concessão da
Licença de Pescador e Pescadora Profissional. Considerado o principal marco
regulatório do setor, a portaria prevê a anulação definitiva do registro quando
o profissional não resolve pendências que levaram à suspensão prévia da
licença.
Quem tem licença cancelada perde o
direito de exercer a pesca com fins comerciais e o acesso a benefícios
vinculados ao Registro Geral da Atividade Pesqueira, como o seguro-defeso. De
acordo com o texto da Portaria 127, o ministério pode cancelar as licenças
concedidas a pessoas que tenham morrido ou que não comprovem, no tempo exigido,
que exercem a pesca com fins comerciais.
A licença também pode ser cassada por decisão
judicial ou a pedido de órgãos fiscalizados e de controle, após o devido
processo administrativo. Entre os motivos para a penalidade administrativa
estão a falta de manutenção anual do cadastro e a não entrega do Relatório de
Exercício da Atividade Pesqueira (REAP).
A relação das licenças canceladas, por Unidade da
Federação, será disponibilizada no sítio eletrônico oficial do Ministério da
Pesca e Aquicultura, na aba Pescador e Pescadora Profissional. Segundo a pasta,
ao contrário do que prevê a Portaria MPA 127, o cancelamento não comporta
recursos, pois estas pessoas não recorreram da anterior suspensão.
Transparência
Os 76.665 novos cancelamentos se somam
a mais de 300 licenças cassadas em 2025 por falta de recadastramento
obrigatório e a outras 7,9 mil extintas devido à morte dos titulares. Segundo
o ministério, desde 2023, técnicos da pasta atuam em parceria com a Polícia
Federal para investigar e resolver problemas com acessos irregulares e fraudes
nos sistemas de registro e monitoramento. Com base nisto, a Justiça autorizou o
cumprimento de vários mandados de busca e apreensão em todo o território
nacional.
Em setembro, quando o ministério anunciou a
suspensão de 131.695 licenças, a secretária nacional de Registro, Monitoramento
e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, destacou que a parceria
entre órgãos federais busca garantir a transparência no processo de emissão do
registro e das licenças.
“Essa decisão é fundamental para proteger a política
pública pesqueira de fraudes e golpes. Nosso compromisso é assegurar que o
Registro Geral da Atividade Pesqueira seja transparente e reflita, de fato, os
direitos de quem vive da pesca. Trabalhamos lado a lado com a PF e com os
órgãos de controle para que os profissionais tenham a segurança de que suas
licenças são legítimas e respeitadas”, afirmou Carolina.

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