A movimentação do STF para julgar a suspensão dos
chamados “penduricalhos” no próximo dia 25 de fevereiro acabou funcionando como
um alívio político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que evita,
ao menos por enquanto, bater de frente com a Câmara dos Deputados sobre o
projeto que abre brecha para salários acima do teto constitucional. Com o
julgamento marcado, o Planalto ganha tempo enquanto mantém a análise do veto em
compasso de espera dentro do Ministério da Gestão e Inovação.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a
decisão do Supremo reduz o desgaste direto do presidente, que teria de escolher
entre desagradar o Legislativo ou enfrentar críticas por permitir
supersalários. O prazo de 15 dias úteis para sanção ou veto deve coincidir com
a sessão da Corte, criando um cenário em que o STF pode, na prática, assumir o
protagonismo de uma decisão politicamente sensível.
A cautela do governo ocorre em meio à necessidade de
manter boa relação com deputados para avançar em pautas consideradas
estratégicas neste semestre, incluindo projetos de apelo popular. Um confronto
direto com a Câmara neste momento poderia travar negociações e ampliar a
pressão sobre o Executivo em ano pré-eleitoral.
Apesar do discurso de que não acompanhou a
tramitação do texto, opositores afirmam que o tema já era conhecido dentro da
base governista e teria sido discutido em reuniões de líderes antes da votação.
A crítica reforça a narrativa de que o Planalto tenta se afastar do desgaste
enquanto o Supremo assume o centro do debate sobre os supersalários.
Com informações do Diário do Poder

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