domingo, 1 de fevereiro de 2026

TANGARAENSE - Silêncio de aliados estratégicos expõe cautela em torno de Allyson

 


O silêncio do deputado estadual Hermano Morais (MDB) nas redes sociais, nos dias mais turbulentos da Operação Mederi, chamou a atenção no meio político. Anunciado como possível vice-governador na chapa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), Hermano optou por não fazer qualquer manifestação pública em defesa do aliado justamente no momento em que denúncias envolvendo a saúde municipal ganharam repercussão nacional com ações da Polícia Federal e da CGU.

O silêncio contrasta com o protagonismo recente do parlamentar, que no dia 21 de janeiro anunciou sua desfiliação do PV e retorno ao MDB, movimento interpretado como passo estratégico rumo à composição majoritária para 2026. Na ocasião, Hermano declarou disposição para contribuir com o Executivo estadual e afirmou que a chapa só seria apresentada após a formalização da pré-candidatura de Allyson. Desde então, no entanto, a discrição nas redes substituiu o entusiasmo político — um gesto que, nos bastidores, é lido menos como acaso e mais como prudência calculada.

“Eu gosto do desafio e acho que eu dei minha contribuição no Legislativo Municipal, no Legislativo Estadual, e eu quero dar minha contribuição também no Executivo Estadual. Nós vamos ainda cumprir algumas etapas, como a mudança de partido, que deve acontecer até março. No momento certo, a chapa será oficialmente apresentada”, declarou na nota.

O deputado ressaltou ainda que o anúncio da chapa só acontecerá após Allyson formalizar sua candidatura ao governo.

A mesma cautela foi adotada pelo deputado estadual Kleber Rodrigues, outro aliado recente de Allyson. Primeiro parlamentar da base da governadora Fátima Bezerra (PT) a oficializar apoio a um pré-candidato de oposição, Kleber também evitou qualquer manifestação pública durante a semana mais intensa das denúncias. O silêncio chama atenção porque, até pouco tempo, o deputado defendia com veemência a viabilidade política do prefeito mossoroense, destacando sua experiência administrativa e o desempenho à frente do município.

Nos dois casos, a ausência de defesa pública ocorre em um contexto de elevado custo político. Diferentemente das conversas privadas — onde, segundo aliados, há gestos de solidariedade e confiança —, as redes sociais funcionam como termômetro do posicionamento político e da disposição para bancar alianças em momentos adversos. Não se trata apenas de comunicação, mas de sinalização política.

Depois de anunciar a saída do PSDB e filiação ao PP, o deputado estadual Kleber Rodrigues confirmou no dia 14 de janeiro seu apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026. Kleber foi o primeiro deputado da base da governadora Fátima Bezerra (PT) a oficializar apoio a um pré-candidato de oposição.

Segundo Kleber, a decisão de apoiar Allyson foi tomada após diálogo com sua base política e avaliação do desempenho do prefeito mossoroense. “Eu acredito muito que Allyson tem tudo para fazer uma excelente gestão, até porque ele não é um calouro, ele é uma pessoa que foi testada”, afirmou o deputado.

Antes de tornar pública a decisão, Kleber afirmou que procurou a governadora Fátima Bezerra (PT) para comunicar, de forma antecipada, seu posicionamento político. Ele ressaltou que a conversa ocorreu de maneira transparente e respeitosa. “Eu não gosto de chegar mensagem a ninguém pela boca dos outros. Eu aprendi na minha vida que eu tenho que ser transparente”, disse.

Apesar do apoio a Allyson para o governo, o deputado afirmou que continuará votando em Fátima Bezerra para o Senado, em uma das vagas que estarão em disputa em 2026, além de declarar apoio também à senadora Zenaide Maia (PSD).

Agripino: “Está tudo como estava”

O presidente da Executiva Estadual do União Brasil, ex-senador e ex-governador José Agripino, avalia que as investigações sobre eventuais desvios de recursos da saúde em Mossoró não traz, até agora, prejuízo político para o prefeito Allyson Bezerra, como pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte: “Está tudo como estava e até melhor. A postura dele, as declarações que ele tem dado, as explicações que ele tem dado, está mostrando que ele é mais do que aquilo que se imaginava, é melhor do que se imaginava”.

José Agripino resumiu que “dentro do União Brasil está tudo sob controle, na coligação que está apoiando a hipotética candidatura de Allyson, não há nenhuma modificação que não seja para melhor”.

Publicamente, nem mesmo nas redes sociais, onde usualmente políticos com mandados se posicionam sobre determinadas questões ou divulgam suas ações, não se encontra nenhuma manifestação de solidariedade dos presidentes estaduais dos partidos – a senadora Zenaide Maia (PSD), João Maia (PP) e o vice-governador Walter Alves (MDB), que foram procurados pela TRIBUNA DO NORTE, mas não deram retorno.

Lançamento da candidatura

A expectativa é de que ocorram manifestações de apoio a Allyson Bezerra no encontro dos partidos União Brasil e PP, previsto para o sábado (7/2), no Praia Mar Arena (ex-Holiday Inn), ocasião em que pode ser formalizada sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte e será discutido o planejamento das legendas, inclusive o partido Solidariedade, para a campanha eleitoral de 2026.

Como líder de um partido político, mesmo dividindo essa liderança numa federação com o Partido Progressistas (PP), José Agripino tenta retomar protagonismo no pleito majoritário perdido em 2014, quando apoiou o então deputado federal Henrique Eduardo Alves para o governo do Estado em detrimento da governadora Rosalba Ciarlini, que perdeu a indicação em convenção do partido Democratas (ex-PFL).

Partidos aliados se solidarizaram

Partidos que integram a base política do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), divulgaram uma nota conjunta, na quarta-feira (28), em que manifestam “solidariedade e apoio” ao gestor um dia depois de ele ter sido alvo da Operação Mederi, pela PF e CGU devido à “Matemática de Mossoró”. Mas os presidentes não.

A nota não é assassinada pelo ex-senador, José Agripino Maia, presidente do União Brasil, nem por João Maia, presidente do PP, nem por Walter Alves, presidente do MDB, e nem por Zenaide Maia, a presidente estadual do PSD.

Os quatro partidos políticos que apoiam a pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União) a governador do Rio Grande do Norte nas eleições de outubro deste ano, emitiram nota em apoio ao chefe do Executivo.

Os partidos União Brasil, Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) manifestaram solidariedade e apoio a Allyson Bezerra, diante de investigação que envolve gestores de diversos municípios.

“Reafirmamos nossa confiança na postura do prefeito Allyson, que tem pautado sua gestão pelo compromisso com a transparência, pelo respeito às instituições e pela responsabilidade com a coisa pública”, diz a nota.

Os partidos informam que seguem ao lado de Allyson Bezerra, “com a certeza de que todos os fatos serão devidamente apurados, com absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito”. “A verdade prevalecerá”, finaliza a nota.

Opositores comentaram as denúncias

As primeiras manifestações políticas após a operação partiram de nomes ligados à governadora Fátima Bezerra (PT). A deputada federal Natália Bonavides (PT) usou as redes sociais para comentar a ação da Polícia Federal. Ela destacou que a acusação é “grave” e envolve suspeitas de fraudes em contratos da saúde.

A própria governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) se manifestou.

Ela classificou como “gravíssimas” as denúncias apuradas na Operação Mederi, deflagrada na terça-feira (27) pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que teve como alvos municípios potiguares, incluindo Mossoró, e resultou em medidas de busca e apreensão no âmbito de investigações sobre supostos desvios de recursos públicos, inclusive na área da saúde.

Já Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo do RN, disse que a operação “merece atenção de todos” e destacou que a gestão de recursos públicos exige compromisso, zelo e honestidade. “Tenho orgulho de gerir as finanças do estado há 7 anos, no governo da professora Fátima, pautado por esses princípios. Que o prefeito e demais investigados tenham o direito de prestar os devidos esclarecimentos e apresentar suas defesas. Fraudes em contratos da Saude é, além de crime, totalmente desumano.”

Em Mossoró, o vereador Cabo Deyvison (MDB), que faz oposição ao prefeito, publicou uma série de vídeos fazendo denúncias e comemorando a ação da Polícia Federal e o mandado cumprido na casa de Allyson. “Eu sabia que essa casa ia cair! Obrigado, meu Deus! O Senhor é justo! Missão cumprida!.

Walter conivente

Em função do apoio do presidente estadual do MDB, vice-governador Walter Alves, à pré-candidatura ao governo do do Estado do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, o vereador Cabo Deyvison confirma que já cogita deixar o partido. “Não posso mudar, redirecionar minhas convicções e o que venho percebendo é a necessidade de estar fiscalizando e reivindicando o direito do povo”, diz.

Cabo Deyvison afirma que a deflagração da Operação Mederi. no meio da semana, corrobora tudo que tem dito sobre a atual gestão em Mossoró. “Não posso ser conivente com isso e o presidente do MDB está sendo conivente ao apoiá-lo”,afirma.

Segundo o vereador, “não houve diálogo em momento algum” com Walter Alves sobre a decisão partidária, de indicar inclusive o deputado estadual Hermano Morais, que está de saída do PV para ingressar no MDB e ser candidato a vice-governador.

Deyvison confirmou que o seu nome estava à disposição do MDB para disputar qualquer cargo nas eleições de outubro, “mas houve pedido do prefeito para que me bloqueasse de qualquer candidatura nestas eleições”.

“O que posso fazer é solicitar a carta de anuência por justa causa e se o MDB não liberar, vamos infelizmente ter que judicializar. O certo é que não compactuo com a nota que o partido fez apoiando Allyson.”.

Câmara está a uma assinatura para abrir CEI

A vereadora Plúvia Oliveira (PT) elaborou a peça inicial para abertura da CEI da Matemática de Mossoró e de coleta das assinaturas de vereadores, diante dos fatos imputados pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) no bojo da denominada “Operação Mederi”, deflagrada em 27 de janeiro de 2026, que investiga suposto esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios relacionados ao fornecimento de medicamentos e insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte.

Vereadores de oposição em Mossoró devem protocolar no início da semana o pedido de instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a destinação de recursos para a compra de medicamentos por parte da prefeitura entre 2022 e 2025, na gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil). Já assinaram o pedido de criação da CEI cinco vereadores – o mínimo de assinaturas exigidas é de sete – Plúvia Oliveira e Marleide Cunha (PT), Jailson Nogueira e Cabo Deyvison (MDB) e Wiginkis do Gás (União Brasil).

O vereador Cabo Deyvison, líder da Oposição na Câmara, informou que o vereador Mazinho do Gás (PL) já informou que vai assinar a petição, o que não o fez, ainda, “por questão de saúde e que ainda está se recuperando”.

Cabo Deyvison acredita na coleta da sétima assinatura, mesmo dentro dos quadros da situação na Câmara Municipal de Mossoró: “Acredito que com essa polêmica, é melhor pular do barco que está naufragando, se não quiserem desgaste politico”.

Segundo o documento que norteia a abertura da CEI, a investigação federal em curso aponta indícios de irregularidades em contratos públicos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, com registros de falhas de execução contratual, não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço.

“Tais elementos, por si, impõem a atuação fiscalizatória desta Câmara Municipal, em defesa do interesse público municipal, a gravidade do caso se intensifica porque o objeto investigado envolve a rede pública de saúde, setor em que qualquer desvio, sobrepreço ou entrega irregular repercute diretamente na assistência às usuárias e aos usuários do SUS e no abastecimento de medicamentos e insumos, afetando a continuidade e a qualidade do serviço essencial”, diz Plúvia Oliveira.

Assinaturas

A bancada de oposição em Mossoró abriu na internet, abaixo-assinado “CEI da Matemática de Mossoró” para coleta de 10 mil assinaturas em apoio à abertura de Comissão de Inquérito na Câmara de vereadores para investigar desvios de verbas e pagamento de propina a gestores municipais.

“Enquanto a propaganda oficial tenta pintar uma cidade perfeita, a realidade que encontramos nas UPAs e Unidades Básicas é de abandono. Falta médico, falta dipirona, sobram filas e, agora, surgem denúncias gravíssimas de desvios de recursos”, diz a chamada do site.

 Tribuna do Norte

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