A expectativa de que o Mercado da Redinha, na zona
Norte de Natal, permaneça aberto após este domingo (22) cresce entre
permissionários e artesãos que atuam no espaço. Embora o funcionamento oficial
esteja previsto apenas até este domingo (22), comerciantes relatam sinais de
continuidade, como a garantia dada pela Semtas (Secretaria Municipal de
Trabalho e Assistência Social), segundo disseram alguns artesãos, de que a
feira de artesanato ficará exposta no local pelo menos até 1º de março. A
previsão é de que o prefeito Paulinho Freire oficialize um posicionamento nesta
segunda-feira (23), durante a leitura da mensagem anual na Câmara.
Segundo a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos
(Semsur), até a manhã deste sábado (21) não havia qualquer mudança oficial
quanto ao fechamento do mercado a partir da segunda-feira. Ainda assim, fontes
ligadas à pasta e os próprios permissionários informaram à TRIBUNA DO NORTE que
há expectativa de prorrogação do funcionamento.
Enquanto os comerciantes aguardam uma definição, os
artesãos que participam da feira instalada dentro do mercado receberam uma
orientação diferente. A artesã Iris Portella diz que o grupo já foi avisado
sobre a continuidade das exposições. “A gente foi informada que a feira vai
continuar até o dia 1º de março. Então, acredito que o mercado não vai fechar”,
disse. Os outros artesãos também confirmaram a orientação.
Segundo explicou Iris, eles são cadastrados em um
grupo com cerca de 600 profissionais, que participam por meio de um sistema de
escala. “As vendas foram boas. Para quem vive só do artesanato, como eu, sempre
é positivo. Dá para ver que há viabilidade de ocupar esse espaço”, avaliou.
Entre os comerciantes, no entanto, o sentimento é um
misto de apreensão e esperança. A permissionária Ozeni Florêncio afirma que
ainda não houve uma resposta concreta da gestão municipal. “A gente está
esperando uma resposta das duas secretarias que estão responsáveis por nós. A
gente pede a Deus que isso venha a ser positivo, porque está todo mundo
querendo trabalhar”, disse.
Ela ressalta que os investimentos feitos para a
retomada das atividades tornam o fechamento uma possibilidade preocupante.
“Todo mundo equipou os boxes para trabalhar. Eu, por exemplo, gastei em torno
de R$ 8 mil, principalmente com geladeira, freezer e micro-ondas. Se permanecer
fechado, fica complicado, porque além das contas de casa, a gente fica sem
renda”, afirmou.
Ozeni lembra que o mercado reúne 33 famílias que
dependem diretamente do espaço. “O mercado sustenta a Redinha, movimenta o
bairro inteiro, do pequeno trabalhador ao grande empresário”, declarou. Segundo
ela, os permissionários estariam dispostos a negociar alternativas para
viabilizar a continuidade. “Se precisasse fechar um ou dois dias da semana para
algum serviço, a gente se ajustaria. O que não pode é ficar parado”, completou.
A permissionária Janeide Pinheiro da Silva reforça
que, após cerca de quatro anos sem atividade, os permissionários precisaram
investir para retomar o trabalho. “Todo mundo teve que comprar freezer, fogão,
tudo que tem dentro de um bar. Estamos sem saber o que vai acontecer”, disse.
Ela avalia que o funcionamento por temporada
demonstrou a viabilidade econômica do mercado, que voltou a funcionar desde 22
de dezembro. “De dezembro até janeiro foi bem movimentado, por ser alta
estação. No carnaval, infelizmente, o fechamento das ruas da Redinha prejudicou
não só o mercado, mas todo o comércio da praia e poderia ter sido melhor”,
afirmou. Para Janeide, a falta de informação agrava a situação. “Até agora
ninguém chegou para nos dizer se continua aberto ou se fecha. A renda dessas 33
famílias é esse mercado”, frisou.
Paralelamente à indefinição sobre o funcionamento
imediato, segue o impasse em torno do processo licitatório para concessão da
gestão do Complexo da Redinha à iniciativa privada. O secretário municipal de
Parcerias Público-Privadas, Arthur Dutra, foi procurado pela reportagem para
esclarecer os entraves e a previsão para o edital, mas não respondeu até o
fechamento da edição.

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